São Paulo vende seu plano de concessões na China

São Paulo vende seu plano de concessões na China
Governador do Estado de São Paulo, João Doria, apresenta Missão à China. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Uma comitiva paulista encabeçada pelo governador de São Paulo, João Doria, inicia no dia 5 de agosto uma importante viagem à China em busca de grandes negócios para o estado, e com a expectativa de vender seu plano de concessões, especialmente em infra-estrutura.

“A viagem já começa a render frutos”, comemorou Dória ao dar o pontapé inicial à missão no Palácio do Bandeirantes. Animado, o governador apresentou aos participantes o roteiro da viagem, que terminará com a inauguração de um escritório comercial paulista em Xangai. “É uma visita muito importante, transformacional”, explicou aos empresários sobre suas altas expectativas.

Minutos antes, tinha encerrado uma reunião chave com executivos da China Railway Construction Corporation (CRCC) em que apresentou o programa de privatização de ferrovias do estado, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano.

Trem intercidades, um sonho paulista

Entre os negócios apresentados à empresa chinesa, líder mundial no mercado de ferrovias e logística estão, além do metrô e dos trens interurbanos, o projeto de Trem Intercidades (TIC), que deve ligar Americana a São Paulo, passando por Campinas.

Avaliado em R$ 5,8 bilhões o trem deve transportar até 470 mil passageiros por dia e vai ligar São Paulo e Campinas ao Vale do Paraíba, em uma rota de 135 km. A conexão é uma velha promessa não cumprida na gestão anterior e um antigo sonho dos habitantes das cidades do interior paulista.

Além desse projeto, Doria deve apresentar na China um portfólio de 21 projetos, mais da metade deles de infra-estrutura, incluindo o programa de concessões de estradas paulista, calculado em R$ 14 bilhões, o maior do pacote.

Outros objetivos da viagem, além de tentar atrair o capital chinês para os projetos de infra-estrutura, e apresentar empresas brasileiras, principalmente de alimentos e consumo, para vender no mercado mais populoso do mundo.

A missão que começa em Beijing e termina em Xangai, deve incluir visitas a empresas como Huawei e BYD, duas gigantes chinesas com negócios importantes no estado, que devem apresentar também a executivos chineses, suas experiências como investidores no estado de São Paulo.

Inauguração de escritório em Xangai

Sobre o escritório em Xangai, o primeiro endereço comercial do estado no exterior, Doria confirmou que será inaugurado na manhã do dia 9 de agosto. Na cidade, a missão paulista deve visitar a Bolsa de Valores e o Porto de Xangai, além de conhecer o projeto de despoluição e recuperação do rio Suzhou, que durante décadas foi o esgoto de milhares de fábricas.

Doria, que conheceu de perto o resultado, quando visitou a cidade como prefeito em 2017, sonha em repetir essa experiência nos rios Pinheiros e Tietê, incluindo o projeto de modernização das marginais.

Doria agradeceu o apoio do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, e do ex embaixador brasileiro na China, Marcos Caramuru de Paiva, na preparação da missão e na concretização do escritório, que ajudará a promover negócios.

“É uma representação simbólica com um potencial efectivo muito grande, feita em coordenação com Apex e o Itamaraty, com Marcos Caramuru como consultor, que é o maior conhecedor das relações diplomáticas Brasil-China”, destacou Doria.

O diretor desse escritório será José Mario Antunes, um jovem executivo e ex diretor da Apex na China, que mantem relações com esse país desde 2012, e cujo nome foi sugerido pelo embaixador Caramuru.

Caramuru foi embaixador do Brasil na China de 2016 até novembro do ano passado e cônsul-geral em Xangai, entre 2008 e 2011. O diplomata mora nessa cidade, uma das mais cosmopolitas da China, e atua nela como consultor de negócios.

“É um escritório autossustentável, onde o único gasto é com o diretor, com manutenção feita por empresas brasileiras, e infraestrutura do governo chinês”, explicou o governador paulista.

Viajam à China os representantes de 35 grandes empresas brasileiras, seis jornalistas da grande imprensa, cinco secretários de governo e quatro parceiros chineses que estão colaborando no suporte da viagem, entre eles, Bank of China e Bank of Communications.

Entre os representantes empresariais que buscam fechar negócios na China estão BRfoods, Única, Colormaq, Minerva Foods.