Escritório de São Paulo em Xangai: Ilusão ou vantagem competitiva?

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Conheça mais detalhes do projeto de João Doria, o novo escritório em Xangai para o estado de São Paulo 

Com informações do China Hoje*

Faltam cinco semanas para o estado de São Paulo inaugurar seu primeiro escritório comercial na China. A sede já foi escolhida, será Xangai a cidade mais cosmopolita do país asiático que já presenciou múltiplos acordos comerciais. A parceria realizada entre João Doria, governador do estado, e o Governo Chinês promete facilitar a exportação de produtos paulistas, incentivar o comércio e atrair investimentos em infraestrutura, inovação e tecnologia.

O escritório comercial será dirigido por José Mário Moccia Antunes, ex-diretor da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em Xangai, com consultoria do ex-embaixador do Brasil em Pequim Marcos Caramuru, expert em diplomacia sino-brasileira.

Xangai, sede do primeiro escritório comercial de São Paulo na China

Para participar da inauguração do escritório no dia 9 de agosto, Doria e o presidente da Investe SP, Wilson Mello organizaram uma comitiva oficial com trinta empresários que representam os setores mais diversos da economia paulista e podem garantir parcerias bilaterais. A visita ao país asiático ocorrerá de 2 a 10 de agosto. Entre os escolhidos estão o setor de açúcar, álcool, etanol, grãos, que vão apresentar aos chineses a força do agronegócio em São Paulo. Outras áreas contempladas são: produção de alimentos, indústria automobilística, ciência e tecnologia e saúde (com foco na produção de medicamentos).

O governador também comentou, em entrevista ao China Hoje, sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro neste evento, no entanto até o fechamento desta edição a Agenda do Presidente no Portal Planalto não confirmava os compromissos de agosto “O Brics é muito importante e a inserção do Brasil e a manutenção dessa relação deve ser fortalecida. Creio que uma posição mais clara deverá ser anunciada pelo Brasil na visita do presidente Bolsonaro à China agora no próximo mês de agosto, juntamente com a nossa missão”, afirmou Doria.

Governador João Doria durante o encontro com o embaixador Yang Wanming.
João Doria e embaixador Yang Wanming fecham parceria para escritório comercial em Xangai.

O que esperar do escritório em Xangai?

Sempre preocupado em apresentar projetos de concessões para novos investidores, João Doria já fez até um plano estratégico sobre quais serão os pontos fortes desta parceria. Apresentamos alguns dos objetivos citados por ele:

  • Agronegócio: com participação de mais de 22% da economia do estado de São Paulo, o agro será o carro chefe para realizar negócios bilaterais com a China, de forma mais incisiva. O etanol, açúcar, álcool, bens primários nos quais São Paulo é líder, devem entrar com força no mercado chinês.

Doria também quer estimular as indústrias chinesas a investir no “híbrido flex”, para que os veículos produzidos na China funcionem com combustível fóssil, eletricidade e etanol.  O Brasil, segundo o governador, detém a melhor tecnologia mundial de “híbrido flex” e pode auxiliar a indústria chinesa neste processo.

  • Serviços e produtos: garantir o aumento de exportações de produtos manufaturados com preços competitivos. E crescimento do setor de serviços por meio de novas tecnologias.
  • Indústria Automotiva: Doria quer atrair indústrias automotivas chinesas para o estado. Atualmente São Paulo é sede da Chery, localizada na cidade de Jacareí. O objetivo para os próximos 12 meses será trazer ao menos uma nova indústria chinesa.
  • Desestatização: o escritório em Xangai facilitará o investimento de bancos e empresários chineses nos projetos de desestatização do estado de São Paulo. Doria quer garantir investimentos para rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos e o porto de São Sebastião, que serão privatizados no seu mandato.

    Porto de São Sebastião integra os projetos de desestatização de João Doria
  • Rios e Saneamento: o governador quer despoluir os rios Tietê e Pinheiros por meio de concessões de PPP (parceria público-privada). O rio Pinheiros será prioridade por ser um processo mais simples e menos custoso. Já o Tietê vai precisar de mais tecnologia e investimentos, onde será fundamental a participação chinesa.

    Rio Pinheiros será prioridade no projeto de despoluição das águas

De olho na oportunidade

Embora Doria defenda a intenção do governo federal de estreitar laços com a China, esta não seria a primeira vez em que a cidade de São Paulo supera o Brasil em relação a acordos estratégicos com o país asiático.  Até o momento São Paulo e China já realizaram onze acordos de cooperação nos setores de agricultura, esportes e investimentos.  O mais recente aconteceu em novembro de 2018 entre a Câmara de Comércio Internacional da China e o Investe SP.

Na gestão Doria o cenário não parece ser diferente. O governador já esteve três vezes na China, e reconhece a capacidade de crescimento do país “Quando estive na China pela primeira vez há quase 40 anos, o PIB chinês era 30% menor do que o PIB do Brasil. Hoje, 40 anos depois, a vantagem da China em termos econômicos em relação ao Brasil é estrondosa”, comenta.

Uma das suas visitas foi em 2017, quando ainda era prefeito de São Paulo, e foi até o governo chinês com o intuito de apresentar seu plano de concessões para a cidade. Hoje, como governador, ele garantiu que no seu mandato a China terá uma posição estratégica, com fortalecimento das relações bilaterais e principalmente econômicas.

Mesmo com o surgimento de novos acordos comerciais, Doria parece não perder de olho a oportunidade de garantir investimentos chineses. Seria esta uma vantagem competitiva para o estado de São Paulo? Aguardemos os desdobramentos!