No Ano do Porco os suínos vão acelerar a economia brasileira?

No Ano do Porco os suínos vão acelerar a economia brasileira?

A pergunta está no ar desde o final de semana. No domingo (5/5) o presidente Jair Bolsonaro anunciou na sua conta Twitter que o Brasil recebeu autorização do governo chinês para que exportadores de carne suína enviem também gordura de porco comestível.

De acordo com o mandatário, a medida atende a um pedido da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) para suprir a demanda da China, afetada pelo surto de Peste Suína Africana (PSA). Segundo estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a China já perdeu cerca de 30% de rebanhos de suínos por causa da doença.

“Segundo a ABPA, o subproduto tem valor de mercado superior ao das carnes tradicionais. Até o fim de 2019, a China pode ter um déficit de oferta de 1 milhão a 2 milhões de toneladas no processamento de suínos. Podemos avançar muito neste setor”, reforçou Bolsonaro na rede social.

No Ano do Porco os suínos vão acelerar a economia brasileira?  Reprodução Twitter

 

Menos soja, mais suínos

Francisco Turra, presidente da ABPA afirmou em evento da entidade, no dia 22 de abril, que o aumento expressivo de exportações de aves e suínos para a China já é uma realidade.  O país asiático se tornou líder em exportações no primeiro trimestre de 2019, ultrapassando Arábia Saudita que foi líder durante 20 anos.

Segundo estimativas da associação, o Brasil deve produzir cerca de 4 milhões de toneladas de carne suína em 2019 e ter crescimento de 20% nas exportações de aves e porcos (uma demanda superior à oferta). Em 2018, Brasil exportou 550 mil toneladas de carne suína, metade foi para o mercado chinês.

No mesmo evento, a ministra de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, confirmou que a situação da China com a PSA está se agravando, o que se traduz em uma grande oportunidade para o Brasil. Porém, isso provocará a queda de outras exportações como a soja.  “Vamos agregar valor, ao invés de vender soja a 500 dólares a tonelada, vamos vender a 2000 dólares a tonelada de proteína, seja de frango, bovino ou suíno que tentaremos colocar nesse mercado “disse.

Suínos vão acelerar a economia brasileira?  Fernando Augusto/Pixabay.com

  

Olho no Olho

Nesta segunda-feira (6/5) a ministra Tereza Cristina e uma comitiva integrada por 100 empresários, parlamentares e representantes de associações produtoras realizam uma viagem por quatro países do continente asiático: Japão, China, Vietnã e Indonésia, com o objetivo de abrir mercado para produtos brasileiros.

Na China, a ministra vai debater sobre exportação de produtos geneticamente modificados, suco de laranja, novas tecnologias, melão, status sanitário de produtos brasileiros e habilitações para frigoríficos, segundo nota do Ministério da Agricultura. “Olho no olho, conversa franca, com o intuito de abrir novos mercados, novos segmentos para nossa agropecuária” declarou ela em coletiva na sexta-feira (3/5).

 

Ministra Teresa Cristina anuncia Viagem à Ásia. Foto: Carlos Silva /MAPA

A China é a maior produtora e consumidora de proteína suína no mundo. O desafio principal da ministra será colocar as proteínas brasileiras à disposição do governo chinês. Atualmente o Brasil conta com 79 frigoríficos habilitados para exportação.  No entanto, apenas 10 estavam em processo de entrega de documentação para técnicos chineses em 2018.  Neste ano, a China solicitou uma lista de estabelecimentos autorizados a vender na União Europeia, um total de 33.

Na visita oficial, Tereza Cristiana apresentará também dados de estabelecimentos que não foram habilitados na União Europeia, mas exportam para Estados Unidos e Japão.  O objetivo final será convencer o mercado chinês que o Brasil tem condições de ser um grande fornecedor com serviços sanitários de qualidade.

Segundo relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, com dados até o dia 15 de abril, a exportação de carne suína está em alta, especialmente para China, Hong Kong e Rússia.

Em março, por exemplo, as exportações foram de 54,3 toneladas de carne suína, 87,5% in natura. Os produtores independentes de Bragança Paulista, Piracicaba, Sorocaba, Campinas e São Paulo já experimentaram um aumento na venda de suínos vivos, a 4,31 reais por quilo, valor 2,37% maior que em março.

Apesar da resistência que o presidente Jair Bolsonaro apresentou na sua campanha eleitoral contra o mercado chinês, é possível afirmar que sua mudança de humor é um sinal que as importações chinesas vão agitar a economia brasileira?  Não perca as novidades nos próximos dias no Fórum Brasil China.

*Com informações da Agência Brasil