China é protagonista mundial no mercado de energia

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A energia solar avança na China.
A energia solar avança na China.

Um dos mais importantes relatórios mundiais de energia, o World Energy Markets Observatory (WEMO) (Observatório Mundial de Mercados de Energia), mostra na sua última edição que boa parte do crescimento do mercado mundial de energia se deve a importância da China, enquanto as metas climáticas seguem em suspenso e o cenário das concessionárias de energia está mudando rapidamente na esteira de aceleração da transformação digital.

Produzido anualmente pela Capgemini, e feito em parceria com as consultorias De Pardieu Brocas Maffei e Vaasa ETT, especializadas na regulamentação dos mercados de energia, o estudo, que está na 20ª edição, monitora os principais indicadores dos mercados de eletricidade e gás na Europa, América do Norte, Austrália e Sudeste Asiático, e relata os desenvolvimentos e transformações nesses setores.

O estudo, apresentado na França no começo deste ano, revela o papel da China como líder mundial em tecnologia, equipamentos e serviços públicos, e destaca que o crescimento econômico global aumentou a demanda por energia, deixando para o longo prazo a discussão das metas climáticas.

Isso ocorre apesar de um ano em que os preços do carbono na Europa subiram rapidamente, enquanto os custos de energia renovável caem. Para completar o cenário, os aumentos nos preços dos combustíveis fósseis levaram a uma recuperação dos valores nos mercados de eletricidade e gás, especialmente na Europa. A pesquisa, elaborada principalmente a partir de dados públicos, refere-se aos dados de 2017.

Por sua vez, as companhias de serviços de energia estão mostrando melhor saúde financeira e se adaptando a modelos de negócios com novas tecnologias, como IoT, Inteligência Artificial, chatbots e blockchain, enquanto surgem novos players. Todos os segmentos da cadeia de valor são impactados pela transformação digital, desde os relacionamentos com clientes aos processos operacionais, chegando as redes de distribuição e serviços interativos.

As quatro principais conclusões da edição de 2018 do relatório World Energy Markets Observatory são:

1-A China, segundo maior consumidor mundial de energia, líder na emissão de Gases de Efeito Estufa (GHG em inglês), fornecedor significativo de equipamentos para energia e importante player em critical resources (água e energias renováveis), também se tornou um importante investidor em empresas de eletricidade.
Com as necessidades de energia em constante crescimento na China, o país aumentou as importações de Gás Natural Líquido em 46% em 2017, tornando-se responsável por 30% do crescimento da demanda global do produto. Mas, os níveis de poluição segue sendo uma preocupação e a China continua sendo o maior emissor mundial de GHG. Por outro lado, o país tem uma política de longo prazo para desenvolver equipamentos de uso local antes de vendê-los internacionalmente. E é responsável pela exportação de painéis solares fotovoltaicos – quase metade da capacidade instalada mundial – e turbinas eólicas.

Já o armazenamento de eletricidade e os veículos elétricos, assim como reatores nucleares, provavelmente serão a próxima onda de exportação de equipamentos chineses. Como complemento, a China também tem uma participação dominante (95%) na produção mundial de metais raros e elementos de terras raras necessários para a projetos de transição energética. Por fim, a política de aquisição dinâmica da China, que durou uma década, principalmente na África, na América do Sul e na Ásia, agora se estendeu às redes de eletricidade e serviços públicos da Europa.

2-O crescimento econômico coloca em questão os objetivos da mudança climática, mas, por sua vez, impulsionou os preços no mercado de atacado de eletricidade e gás, melhorando a saúde financeira das empresas de serviços públicos.
Após 3 anos em que as emissões de GHG haviam estagnado, em 2017 elas aumentaram 1,4%, impulsionadas pelo crescimento econômico que estimulou o aumento da demanda por energia. Os já frágeis objetivos de mudança climática do Acordo Climático de Paris 2015 podem estar ameaçados, apesar do aumento significativo nos preços do carbono (na Europa de 5 euros por tonelada no início de 2017 para 20 euros no início de setembro de 2018), resultante da recuperação da economia global e das medidas da União Europeia.

“Em 2017, uma economia mais forte significou que as emissões dos gases de efeito estufa aumentaram pela primeira vez em vários anos; e como resultado os objetivos projetados para 2050 das mudanças climáticas podem não ser cumpridos. A União Europeia tomou algumas medidas, mas elas são insuficientes para atingir um preço de carbono significativo, de cerca de 55 euros por tonelada. Para que isso seja alcançado, seria necessário atingir o preço “do piso” do carbono no nível regional ou nacional”, diz Colette Lewiner, consultora sênior de Energia e Serviços Públicos da Capgemini.

3-Os preços das energias renováveis ​​e do armazenamento seguem diminuindo, mas as limitações tecnológicas e o custo de desenvolvimento significam que a geração elétrica renovável completa está muito distante para a maioria dos países.
Durante os últimos 12 meses, os custos das energias renováveis ​​seguiram caindo (com -20% para energia solar fotovoltaica), enquanto os custos da energia eólica onshore e da energia fotovoltaica nas concessionárias estão se tornando competitivos em quase todos os lugares (sem incluir custos de redes de distribuição adicionais) comparado com os recursos de geração de eletricidade tradicionais. Os custos das baterias estão seguindo a mesma tendência de queda. Essa combinação pode levar alguns países, como a Dinamarca, a estabelecer metas para um mix de geração 100% renovável. No entanto, em grandes países ou estados, mesmo com o armazenamento de baterias, esse tipo de configuração não é gerenciável no momento devido as limitações na tecnologia, gerenciamento de intermitência e enormes custos de implementação.

4-O cenário das Utilities continua evoluindo junto com a saúde financeira renovada dos players da indústria, enquanto novos desafios emergem.
Uma ligeira melhoria nas posições financeiras das empresas de serviços públicos havia sido reportada, principalmente na Europa, graças ao aumento nos preços de mercado da eletricidade e gás no atacado e às conquistas de transformação dos participantes do setor. Esta situação levou a uma transformação do cenário do setor e atividades de fusão e aquisição, com diferentes países trilhando seu próprio caminho de transformação: com as empresas alemãs concentradas em segmentos da cadeia de valor, o Reino Unido corrigindo algumas liberalizações do mercado de varejo com novas regulamentações, mercados asiáticos iniciando processos de desregulamentação e novos jogadores entrando nos mercados em todos os lugares.

“Observamos as principais empresas de petróleo e gás que atuam nos mercados de varejo e de energia renovável com recursos e ambições significativas. Enquanto isso, o cenário das Utilities está mudando rapidamente. Todos os segmentos da cadeia de valor são impactados pela transformação digital, do relacionamento com os clientes aos processos operacionais, passando por redes de distribuição e serviços interativos, todos com um enorme potencial para reduzir custos. As concessionárias de serviços públicos precisam acelerar suas transformações e ampliar seu foco em novos modelos de negócios baseados em serviços, à medida que a concorrência de diferentes domínios, incluindo novos operadores, grandes empresas de petróleo, varejistas e as Big Techs, está aumentando”, analisa Perry Stoneman, Head dos setores de Energia, Serviços Públicos e Químicos da Capgemini.

Para acessar uma cópia completa do relatório, infográficos e podcasts:  World Energy Markets Observatory (WEMO).