O C919, o avião chinês que enfrentará a Boeing, Airbus e os EUA

O C919 foi feito para competir em escala global e ultrapassar os Estados Unidos como o maior mercado mundial de viagens aéreas para passageiros em meados dos anos 2020.

O C919, o avião chinês feito para ganhar a aviação comercial mundial

A China está testando o C919, seu primeiro avião comercial completamente desenvolvido no país, e já tem encomendas de dezenas de clientes com promessa de adquirir 815 unidades. Fabricado pela Commercial Aircraft Corp. da China (COMAC), o modelo foi feito para competir em escala global com o 737 da Boeing e com o A320 da Airbus, e ultrapassar os Estados Unidos como o maior mercado mundial de viagens aéreas para passageiros em meados dos anos 2020.

O C919 é um modelo de 156-168 lugares de fuselagem estreita, que deve se tornar  o maior avião comercial projetado e construído na China desde o extinto Shanghai Y-10, da década de 80.

Para obter a certificação dos reguladores chineses até o final de 2020, o COMAC está em fase geral de testes de aceleração, com seis unidades até o final do ano. A entidade reguladora de segurança da aviação da Europa, também prometeu iniciar o processo de certificação em abril.

A COMAC começou a produção do C919 no final de 2011, com o objetivo de desafiar o duopólio internacional da Airbus e Boeing na aviação comercial mundial. O primeiro vôo inaugural de sucesso do C919 aconteceu em 5 de maio de 2017, no Aeroporto Internacional dede Pudong, em Xangai. A primeira entrega está programada para 2021.

Os testes, projetados em vários aeroportos em condições climáticas complexas, são chave para verificar o design e o desempenho, especialmente nos aspectos de segurança. A COMAC está projetando demanda para 2.300 C919s, que custam metade do preço de um A320 ou 737 em US$ 50 milhões.

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Com uma alta demanda que, segundo a Boeing, prevê a entrega de 7 mil novos jatos de passageiros para operadoras chinesas nas próximas duas décadas, as fabricantes internacionais como Airbus, Boeing, Honeywell, Embraer e Collins Aerospace tem investido em instalações e joint ventures.

O projeto está sendo desenvolvido em estreita cooperação tecnológica com os principais fornecedores de peças internacionais, como parte do plano estratégico “Made in China 2025”, lançado em 2015 pelo governo, para tornar o país um grande fabricante de tecnologia de ponta, em aviões e equipamentos aeroespaciais. A prática de compartilhamento de tecnologia, tem alimentado disputas comerciais internacionais, especialmente com os Estados Unidos.

Uma das clientes do novo modelo será a China Southern Airlines, que planeja expandir sua frota doméstica de 786 para 1.000 aviões de carga e passageiros até 2020, e dobrar para 2.000 até 2035, segundo confirmou o presidente-executivo da companhia, Tan Wan Geng,  durante uma coletiva de imprensa na conferência World Routes, em setembro de 2018.