Feira de importação garante abertura chinesa a produtos estrangeiros

Ao promover a CIIE, primeira feira internacional de importação da China, o país demonstra interesse em abertura econômica e apoio ao comércio global.

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Imagem: Cesarexpo

Entre os dias 5 e 10 de novembro de 2018, Xangai será sede da primeira feira internacional de importação da China, a CIIE (China International Import Expo). Para empresas do mundo todo, trata-se de uma oportunidade de apresentar seus produtos e serviços a este mercado de 1,3 bilhão de consumidores. São aproximadamente 2.800 empresas de mais de 120 países e regiões já inscritas, de acordo com a agência Xinhua. A CIIE, que será realizada no Centro Nacional de Exposições de Convenções, recebeu mais de 160.000 inscrições de compradores potenciais chineses e estrangeiros, superando as expectativas.

Segundo o Ministério do Comércio Chinês, o objetivo da feira é contribuir para uma globalização econômica mais vigorosa, inclusiva e sustentável, de forma a apoiar o comércio global. “A expo também impulsionará o desenvolvimento da iniciativa chamada Um Cinturão, Uma Rota”, afirmou o vice-ministro chinês, Fu Ziying.

Trata-se de um passo importante na progressiva abertura do mercado chinês, que nos próximos 5 anos pretende atingir US$10 trilhões em volume de importações de produtos e serviços, segundo informações do Ministério do Comércio. Em 2017, a China importou de todo o mundo produtos no valor de aproximadamente US$1,84 trilhões. De 2013 a 2017 foram importados aproximadamente US$9 trilhões.

Esta é a primeira vez que um país promove uma feira deste porte com foco exclusivo em importações. O Pavilhão dos Países para Comércio e Investimento abrigará demonstrações dos países participantes relativas às suas potencialidades nas áreas de investimentos, comércio de produtos e serviços, indústria e turismo. Já a Exibição de Negócios Empresariais trará mostras das empresas nas áreas de tecnologia, eletrônicos, eletrodomésticos, vestuário, acessórios e bens de consumo, automóveis, alimentos e produtos agrícolas, equipamentos e produtos médicos, terceirização de serviços, design, cultura, educação e turismo.

A CIIE também contará com uma plataforma online que ficará no ar por mais tempo. Além de permitir que os participantes vendam seus produtos além da feira física usando formas digitais de pagamento, o meio online será um ambiente em que também poderão encontrar potenciais parceiros de negócios.

O público em geral poderá visitar a feira nos dias 9 e 10 de novembro, porém é necessário marcar horário e passar por um processo de verificação. Mais detalhes ainda serão publicados no website oficial do evento.

Empresas participantes

Mais de 200 empresas participantes estão listadas entre as TOP 500 líderes industriais da Fortune. Na lista das mais conhecidas estão Fiat Chrysler, Bosch, Qualcomm, Unilever, Tesla, Dell, Microsoft, Danone, Johnson & Johnson, Philips, DuPont, L’Oreal, Nokia, Dow Chemical, Whirpool, Hyundai-Kia, FedEx e Arla. Por volta de 35% das empresas são da Ásia 32% da Europa, 15% das Américas, 11% da Oceania e 6% da África.

O prazo para os expositores se registrarem terminou em Junho, porém mais de 40 empresas já fizeram sua pré-inscrição para a edição de 2019. Apenas as mercadorias fabricadas fora da China e os serviços entregues fora do país poderão participar.

Representantes brasileiros

Serão 96 empresas brasileiras atendendo ao evento, entre expositores e participantes que irão para conferir oportunidades. Desse total, 70 são do setor de alimentos e bebidas. Eletroeletrônicos, design, moda, autopeças, saúde, óleo e gás, segurança, serviços de engenharia, fundição, cosméticos, indústria pet, plásticos, móveis, software, pedras ornamentais, vidro e indústria mecânica estão entre os demais setores.

A CIIE também representa uma oportunidade para a Embratur promover o Brasil como destino turístico entre os chineses. Em 2017 a China enviou para o exterior 129 milhões de turistas, sendo que deste total apenas 60 mil vieram para o Brasil. “Tudo o que o chinês sabe sobre o Brasil se limita ao Corcovado, ao Cristo Redentor, ao Parque Nacional do Iguaçu e ao Neymar”, afirmou o encarregado de negócios da embaixada chinesa, o ministro Song Yang. Segundo ele, o Brasil não investe em propaganda na China, problema que afeta inclusive produtos tradicionais de exportação brasileiros, como o café. Atualmente, o café colombiano e de países da América Central estão se sobressaindo em território chinês, em detrimento do brasileiro.

“Queremos importar muito mais. Queremos importar produtos tecnológicos de alta qualidade, peças de automóveis e muitos outros produtos industrializados e aeroespaciais. Sem conhecer o produto brasileiro, o chinês não pode comprar mais”, disse o ministro para a Exame em Janeiro deste ano.

De acordo com o embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da APEX-Brasil, o Brasil precisa investir na exportação de itens de maior valor agregado, sendo o café um ótimo exemplo. “Exportamos o grão verde e não o produto pronto. Falta marca internacional ao produto brasileiro”, afirmou ele no primeiro seminário Brasil-China, realizado pela Folha. Já para a agência Xinhua, Jaguaribe disse que existem vários produtos alimentícios pouco conhecidos na China com grande potencial de penetração no mercado asiático, como o Açaí e o Cupuaçu.

“Hoje, 60% da pauta de exportação do Brasil para a China é de oleaginosas e minério de ferro, ou seja, produtos primários, enquanto as importações da China são principalmente de máquinas e equipamentos ou manufaturados, por mérito até dos chineses, que têm a indústria como seu carro-chefe, sua mola propulsora de crescimento”, disse José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp, na primeira ação da entidade em preparação aos empresários participantes do CIIE.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 47,48 bilhões para a China e importou US$ 27,32 bilhões, tendo um superávit de US$ 20,16 bilhões. Em 2016 o superávit ficou em US$ 11,7 bilhões. O Brasil também tem a preferência da China no quesito investimento. Até 2017 cerca de US$ 207 bilhões foram investidos na América Latina e no Caribe, sendo US$ 50 bilhões destinados ao Brasil.

A participação brasileira na CIIE é coordenada pela Associação Brasileira de Exportações e Promoção de Investimentos (Apex-Brasil), pelos Ministérios das Relações Exteriores, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Feira Internacional de Importação da China  é apoiada pela Organização Mundial do Comércio, pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento e pela Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas. Seus organizadores são o Bureau Internacional de Importação e Exportação da China e o Centro Nacional de Exibição e Convenção de Xangai.