Starbucks faz parceria com Alibaba e estreia no mercado delivery na China

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Dona de 80% do mercado de café na China, a rede americana quer marcar presença entre os 500 milhões de usuários ativos de aplicativos como Alipay, Taobao, Tmall e Hema.

Em um país em que a paixão nacional é o chá, o Starbucks não só chegou com grandes expectativas de crescimento, como de fato criou um mercado. De acordo com a Organização Mundial do Café e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o consumo de café na China quase triplicou nos últimos 4 anos.

E a rede americana soube aproveitar esta oportunidade. Seu crescimento na China é maior do que em qualquer outra parte do mundo. Com uma receita de 3,24 bilhões de dólares em 2017 na Ásia-Pacífico, que inclui China, a região representou 15% de sua receita global.

Mas, este crescimento mostrou desacelaração no último trimestre, quando a empresa viu as vendas de suas lojas já existentes (sem considerar as novas) cairem 2%, depois de altas nos dois trimestres anteriores. Apesar disso, a receita chinesa cresceu 17%. “A maior parte do crescimento das transações na China está vindo de novas lojas”, disse Kevin Johnson, CEO da rede.

Novos concorrentes são parte do motivo. A startup chinesa Luckin Coffee começou com 2 lojas em Janeiro deste ano e sete meses depois já possui mais de 800 filiais. Por outro lado, especialistas analisam que os executivos da Starbucks demoraram para se adaptar às novidades tecnológicas e do varejo na China, especialmente quando se analisa a evolução dos serviços de entrega.

De acordo com a agência Xinhua, o mercado de entrega de comida atingiu 31,9 bilhões de dólares em 2017, 23% a mais do que 2016. E isso é visível nas ruas de qualquer cidade grande. Os entregadores, chamados de “kuaidi”, são vistos aos montes, a qualquer hora do dia.

Guinada na experiência do cliente

E foi para revitalizar sua operação chinesa que o Starbucks anunciou no começo deste mês uma parceria com o gigante de tecnologia Alibaba, dona da plataforma de entregas Ele.me e da rede de supermercados Hema, estruturas-chave para este acordo exclusivo.

“Nós vamos integrar a loja virtual do Starbucks em todos os negócios do Alibaba. Isso significa que um consumidor que usa o Alipay, o Taobao, o Tmall ou o Hema terá uma loja virtual semelhante ao aplicativo usado nessa experiência” disse Johnson. “Isso vai impulsionar a presença física e digital da companhia na China e abrir caminho para mais de 500 milhões de usuários ativos destes aplicativos, que terão acesso ao Starbucks”, completou.

A parceria vai permitir que a rede de cafés faça entregas a partir de 150 lojas em Shanghai e Beijing já em setembro, ampliando este número para 2.000 lojas em 30 cidades até o final de 2018.

A empresa americana entrou na China em 1999 e hoje abre, em média, uma nova loja a cada 15 horas no país. Em Dezembro de 2017, foi inaugurada em Xangai uma Starbucks Reserve Roastery, a maior loja da marca no mundo. Lá, os consumidores podem assistir ao processo completo de torra do café, fazer desgustação de chá ou se deliciar com os pães e doces feitos em parceria com a padaria Princi.

Café brasileiro é vendido na Reserve Roastery de Xangai.

Enquanto isso, no Brasil

Em março de 2018 a Starbucks do Brasil foi vendida para a SouthRock, um fundo de investimento responsável pela operação e licenciamento de empresas como o supermercado St. Marche, o Eataly Brasil, The Fifties, China in Box, Gendai e Brazil Airport Restaurants. Desde então, a SouthRock vem desenvolvendo e operando as 113 lojas no Starbucks no Brasil, espalhadas por 17 cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

De acordo com a consultoria Euromonitor, o mercado de café no Brasil tem capacidade de expansão de 27,6% até 20121, número maior do que capacidade global, de 21,6%. Segundo especialistas, o mercado brasileiro tem capacidade para 500 lojas da rede só em São Paulo.

Apesar do pouco avanço desde que chegou no Brasil em 2006, o vice-presidente da Starbucks na América Latina, Ricardo Rico, disse que o país continua a ser um dos mercados internacionais mais estratégicos para a Starbucks, em entrevista à revista Dinheiro.

Com vendas anuais estimadas em R$ 250 milhões, o mercado brasileiro era o único da América Latina e Caribe que ainda não adotava o modelo de licenciamento. Das 28 mil lojas espalhadas globalmente, 13 mil são licenciadas. Resta esperar que a novidade ajude a rede a sair do eixo Rio – São Paulo e colha bons frutos em outras partes do país.