Reality show de luta de robôs tem brasileiros campeões na China

Equipe brasileira é vencedora do Clash Bots, campeonato chinês de luta de robôs com maior audiência da história.

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(Imagem: arquivo pessoal)

Campeonatos de MMA protagonizados por robôs estão conquistando a audiência chinesa. Mas, conquista mesmo veio para a Ogrobots, equipe brasileira vencedora do reality show chinês Clash Bots. Os 7 engenheiros foram os primeiros colocados na competição, seguidos por China e Inglaterra, levando para casa o prêmio de R$400 mil.

As lutas são conhecidas pelos aficcionados por robótica. Nos anos 2000, o programa americano Battle Bots fez tanto sucesso que mereceu um regravação recente pelo Discovery Channel.

Versões chinesas

Em janeiro, a Zhejiang TV estreou o King of Bots. O Youku.com também planeja lançar o This Is Bots ainda em 2018. Mas foi o Clash Bots, rodado entre março e junho deste ano, que apresentou resultados impressionantes. Com mais de 1 bilhão de visualizações totais, seu último episódio foi assistido por mais de 78 milhões de pessoas. Quem comemora é a Baidu, dona da plataforma de vídeos iQiyi – uma espécie de Netflix chinesa que produziu o programa. Só para se ter uma comparação, o capítulo final de Game of Thrones teve 12 milhões de visualizações quando lançado.

Jogos para celular, séries online, filme e um parque temático também estão programados para serem desenvolvidos a partir do Clash Bots.

Formato

(Imagem: arquivo pessoal)

Segundo críticos, o motivo de tamanho sucesso foram os apresentadores famosos, como Angelababy e Zhao Lixin. Para alguns entusiastas de Ultimate Robot Combat (URC), o programa, que seguiu as regras internacionais dos combates de robôs e foi patrocinado pelo KFC, destacou mais as celebridades do que as lutas em si.

(Imagem: arquivo pessoal)

Na fase de classificação, os apresentadores escolheram seus times e, nas fases seguintes, decidiram como seriam as lutas. Os rounds duram 3 minutos e o vencedor era aquele que conseguisse deixar o adversário sem se mexer por 10 segundos. Ao final de cada batalha, as equipes tinham 5 horas para consertar os robôs e estarem prontas para a próxima.

Participaram apenas máquinas da categoria peso-pesado, de 100 a 110kg. A arena foi blindada para evitar acidentes com o público.

Das 35 equipes que participaram, 21 eram chinesas e 13 estrangeiras, vindas de países como Estados Unidos, Índia, Inglaterra e Rússia. A Ogrobots foi a única equipe brasileira a participar da competição.

Campeões brasileiros 

(Imagem: arquivo pessoal)

Formada por 7 engenheiros que se conheceram na Universidade Federal de Itajubá, a Ogrobots levou 38 dias para projetar, desenvolver e montar o robô Dark Wolf. Pesando 110 kg, ele levou o título de o robô mais destrutivo da competição, já que venceu 9 das 12 disputas que participou. O robô teve um custo de R$75 mil, bancado pela própria iQiyi, assim como todas as despesas das viagens.

(Imagem: arquivo pessoal)

Segundo o engenheiro mecânico e piloto de robôs Murilo Castanho Marin, de 26 anos, o Ogrobots se revezou nas viagens à China para as gravações do programa. Foram ao todo 14 malas que levaram 431kg entre máquina, peças reserva, ferramentas e equipamentos. Na primeira viagem, a equipe ainda teve uma mala extraviada com peças reserva.

(Imagem: arquivo pessoal)

“Usamos componentes de alto desempenho. A maioria deles é importada, itens que nem sonhamos ter no Brasil e pagamos taxas altíssimas para ter esses itens. Para enviar o nosso robô também sofremos uma burocracia tão grande, que nos fez desistir de tentar enviar ele por caixa – com toda a segurança e comodidade que todas as outras equipes tiveram”, conta Murilo.

A Ogrobots por duas vezes foi vice campeã no campeonato brasileiro, além de ter ficado em terceiro lugar no Mundial de Robôs de 2017. Apesar de mais uma conquista para a conta, a equipe continua sem patrocinador.