A vitória de Kim Jong-un sobre os Estados Unidos de Trump

Em menos de dois meses, o pequeno Kim Jong-un se encontrou com os dois maiores líderes mundiais, Trump e Xi Jingping

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Kim Jong-un, o grande vitorioso do encontro com Trump
Kim Jong-un, o grande vitorioso do encontro com Trump

 

O mundo parou para acompanhar o encontro em Singapura entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, governante de uma das maiores potências econômicas do planeta, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, líder de um pequeno país do leste asiático que ocupa a metade da península da Coréia.

“É a primeira vez que um líder de um pequeno estado totalitário, com pouquíssima relação com o resto do mundo, consegue um encontro com o presidente dos Estados Unidos. É um reconhecimento do regime, que muito se parece com uma seita. O país cresceu muito pouco economicamente e Kim possui inimigos internos. Com esse encontro, ele ganha força, e reduz a probabilidade de uma rebelião contra o seu governo”, analisa Oliver Stuenkel, coordenador do MBA de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), que vê o encontro uma grande vitória do ditador asiático, e o maior reconhecimento que Kim Jong-un poderia ter.

Para o professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) e da Escola de Ciências Sociais da FGV, é muito improvável que a reunião resulte agora em decisões importantes. Isso porque, segundo ele, existe um histórico de não cooperação dos líderes norte-coreanos. “Acredito que Kim Jong-un quer apenas ganhar tempo para desenvolver ainda mais o seu programa nuclear”, diz o especialista em relações internacionais.

Oliver Stuenkel afirma ainda que é muito improvável que Kim Jong-un abandone seu projeto de fabricação de armas de alta destruição. A razão, de acordo com Stuenkel, é que ele sabe que o governo dos EUA tem rasgado diversos tratados recentemente assinados. “Muammar Kadafi, ex-primeiro-ministro da Líbia, depois de aceitar a proposta dos EUA, viu seu país sob intervenção militar comandada pelos EUA e foi morto”, lembra o professor da FGV.

Kim e Trump durante cúpula em Singapura

Por fim, Stuenkel ressalta que alguns especialistas em relações internacionais dizem que o processo, articulado pelo assessor de Trump John Bolton, foi feito para fracassar. “Esse resultado poderia ser usado para justificar uma intervenção militar no país, o que a China não quer, porque causaria uma onda de imigração para o seu país e causaria e um colapso econômico mundial que incluiria prejuízos até para o Brasil”, avalia Oliver Stuenkel.

A China, aliás, é uma das principais interessadas nesta cúpula histórica. O presidente chinês, Xi Jinping, participou ativamente das negociações que ajudaram a concretizar este encontro e  foi o primeiro líder estrangeiro a se encontrar com Kim, a quem recebeu duas vezes. A China estaria interessada nas possibilidades de um tratado de paz e especialmente, em uma eventual abertura econômica do vizinho.

Kim, assinou uma declaração em que se compromete a desmontar seu programa nuclear, mas o documento não prevê metas ou detalhes sobre como se realizará uma desnuclearização que abandone a produção de forma completa, irreversível e verificável, como pedem os EUA. Um compromisso similar foi assinado em abril após o encontro dos líderes das duas Coreias, em Panmunjon.