Neo, a criptomoeda chinesa que tem muito em comum com o Brasil

A criptomoeda chinesa NEO é a plataforma que mais pode se adaptar as necessidades do mercado brasileiro de blockchain

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Neo, a criptomoeda chinesa no Brasil
Neo, a criptomoeda chinesa no Brasil
Em um seminário sobre BlockChain e Economia Distributiva, organizado pela Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo (Bomesp), um dos destaques foi a criptomoeda chinesa Neo, que tem despontado como alternativa ao Ethereum, modelo virtual de sucesso baseado nos chamados “contratos inteligentes“, operações feitas automaticamente quando são cumpridas algumas condições de segurança.
Para falar do projeto chinês estiveram em São Paulo dois pesquisadores e executivos da empresa Malcolm Lerider, diretor de pesquisa e desenvolvimento, e Tamar Salant, diretora de negócios globais, que vieram de Shangai, para responder dúvidas e conhecer os avanços do Neo por aqui.
“A NEO é fantástica, dentro do blockchain resolvem-se dois grandes problemas que temos enfrentado: a escalabilidade e o custo da rede. A escalabilidade de fazer de mil a dez mil transações por segundo (o bitcoin faz de 3 mil a 7 mil e o Ethereum até 20 mil)”.
“E o Neo é perfeito em custo para questões do dia a dia, de comprar um cafezinho, de fazer micropagamentos, que seria de graça. Você paga um café e não paga pelo custo da transação, e sem intermediários, que é central no blockchain”, explica Fernando Barrueco, Legal Advisor da Bomesp, e criador do Niobium Coin (NBC), a primeira moeda virtual brasileira. 
Afinidade com o Brasil
O fato de trabalhar com contratos inteligentes e em um mercado tão grande e complexo como o chinês tem despertado o interesse de especialistas brasileiros pelas afinidades e pelo potencial para fazer funcionar essa plataforma no Brasil.
Uma das suas vantagens é o custo. No Ethereum, por exemplo, se paga barato para registrar um contrato, mas é necessário pagar para utilizar a rede.
“O Neo é muito caro para registrar um contrato inteligente, criar um token, mas oferece essa vantagem de ter operações sem custo. Vai depender muito do tipo de operação que você e a empresa queiram fazer”, explica Barrueco, que vê no mercado de blockchain e de criptomoedas, um mecanismo de distribuição na economia e de inclusão social.
“A questão do blockchain é a de desbancarização, é trazer os desbancarizados para fazer parte deste mundo. Basta ter um celular e um acesso a internet que vai ter uma conta, um ativo com um valor que possa ser usado no dia a dia de troca para comprar alguma coisa”, diz o executivo, que vê o NEO como um dos principais players globais.
“Se pegar hoje no mundo, tenho 7 bilhões de pessoas, e não chega a 2 bilhões o número dos que tem conta corrente. Se pegar países territoriais como a China e o Brasil, que tem difícil acesso, com lugares que não tem uma agência bancaria, que não tem como fazer troca de dinheiro, o blockchain vem para resolver esse problema. Sabemos que no Brasil cada habitante tem pelo menos dois celulares e é por isso que vai desenvolver tanto”, prevê Barruecos.
Para Igor Machado Coelho, doutor em computação e pesquisador do Grupo Neo Research no Brasil, a China tem tecnologia de ponta nessa área e tem avançado com força por conta da rigorosidade da sus regulamentação, o que tem se tornado uma vantagem competitiva do NEO.
“A rede Neo é menos descentralizada, mas da uma característica de menor custo de execução das tarefas e mais facilidade de se adequar à realidade de um país. Porque você não consegue usar uma rede gigante de Bitcoin ou do Ethereum e colocar dentro da realidade de um país que tem regras próprias”, explica o pesquisador.
A rede do Neo é projetada de forma que podem ser colocados nós de consenso de um outro país, no caso o Brasil, e se adequar à legislação local. “Eles sempre batem nessa tecla, de ser passível de funcionar de acordo com a regulação local, e por isso que eles estão funcionando bem na China e crescendo bastante”, diz Machado Coelho.
Para o pesquisador carioca, há vários tipos de blockchains aparecendo e estamos no boom dessa tecnologia.
“Acho que o mundo não vai virar tecnologia única, tem centenas, mas o NEO é bem possível de usar na realidade do Brasil. Vejo a possibilidade de usar a rede deles para gerenciar e dar transparência a processos, inclusive do governo, em nível de municípios, para dar mais transparência para o cidadão. Isso é possível no Ethereum, mas ele incorre em alguns custos que às vezes inviabilizam trazer isso para o cidadão comum, sem querer trazer para o mundo das criptomoedas”, esclarece Coelho.

 

A NEO, conhecida antes como Antshares, é um dos primeiros projetos de blockchain da China. Foi fundada em 2014 por Da Hongfei, e foi criada em 2015 no Github com código aberto open-source, e tem se tornado uma das criptomoedas a crescer mais rápido no mundo. O nome NEO foi tomado da personagem central do filme Matrix.  A NEO suporta certificados digitais, que os desenvolvedores dizem resolver o problema potencial de nós não confiáveis em uma Blockchain pública.

 

ONDE COMPRAR NEO?

Para comprar NEO no Brasil é necessário comprar Bitcoin em corretoras no Brasil e trocá-los em exchanges que negociam NEO pelo mundo, como a Bittrex, a Bitfinex e a Binance. Os mercados da NEO estão listados no site coinmarketcap.com