A tradição dos tecidos de Zhoucheng

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https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Indigo-guizhou.jpg

Autora do Blog China na Minha Vida compartilha suas aventuras em Zhoucheng, berço do índigo, corante naturalmente azul, e suas tradicionais técnicas de tingimento de tecidos.

Por Christine Marote**

A nossa viagem a Yunnan foi uma caixinha de maravilhosas surpresas. São tantos detalhes que ainda estou descrevendo a primeira parada do nosso itinerário. Se chegou aqui agora, não deixe de conferir os primeiros artigos dessa viagem:

Descobrindo Yunnan: a província mais colorida da China
Dali, o início da viagem à Yunnan 
Visitando Shaxi, uma vila tipicamente chinesa
Shangri Lá: o paraíso que os chineses encontraram

Na realidade esse artigo é sobre o que visitar em Dali também, mas resolvi dar um destaque especial a essa atividade, pois foi uma das que mais gostei. Não sei se pela infinidade de tons azuis (com o branco) ou pela textura e magia dos tecidos.

 

A vila de Zhoucheng originou-se da área das planícies centrais na antiga China há mais de 1.000 anos e pertence à cidade de Dali, que fica a 23km. Famosa por ser a cidade natal do tingimento índigo ou Bandhru é o lugar que possui o maior grupo de pessoas da etnia Bai, com mais de 1.500 integrantes.

A fama de Zhoucheng e seus tecidos tingidos vem desde as dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911). Integrando a cultura e a arte étnica, Bai Bandhnu superou todo avanço da tecnologia e as mudanças culturais chinesas, manténdo-se como um ponto forte do artesanato chinês.

Processo de tingimento dos tecidos

O índigo é um corante naturalmente azul usado há milhares de anos em muitas civilizações para tingir tecidos.

O corante principal vem do ‘Ban Lan Gen’, a radix isatis em inglês, que é uma erva medicinal chinesa usada para dissipar o calor, remover substâncias tóxicas e diminuir a inflamação e como um agente de tingimento. Era uma erva selvagem, mas a alta demanda esgotou a planta, e as pessoas Bai agora cultivam ‘Radix isatidis’ em áreas montanhosas.

 

Os tecidos tingidos são em tons mais fechados do que aqueles que passaram por um processo químico. Eles também são menos propensos a desbotar e mais resistentes. Os Bai acreditam que as qualidades medicinais do ‘Radix isatidis’ tornam as roupas e roupas de cama tingidas mais confortáveis de usar e calmantes para a pele, especialmente no tempo quente.

Tie-dye

Já o Tie-dyeing (em inglês), 扎染 – Zhá ran,  é uma técnica de impressão de padrões florais em tecido. Como o nome sugere, o processo é dividido em “tie” (amarrar) e “dye”(tingir). O ‘amarrar’ é dar ao pano certas formas, comprimindo, quebrando e amarrando de acordo com os padrões florais /ou geométricos que se queira dar ao produto final. Eles são costurados ou amarrados firmemente para criar vários nós, tingindo apenas as partes que estão sem eles.

O processo de tingimento no tie-dye envolve primeiro embeber os “nós” em água, seguido de imersão nos recipientes de tintura por um certo período de tempo, antes de levá-los para secar. Após a secagem, eles são novamente colocados de volta na tintura e o processo é repetido até obter uma cor satisfatória. Uma vez secos, os pontos são retirados dos nós e o pano é esticado para revelar a parte que foi costurada, formando padrões florais bonitos e marcas dos vincos da tintura.

De um modo geral, no tie-dye usa-se a cor branca para os padrões de flores e o azul para o fundo. O contraste dessas duas cores mostra a beleza da simplicidade, que reflete as mentes pacíficas e tolerantes do Bai People.

Como tudo nessa viagem, as fotos falam mais que palavras!

 

Zài Jián!

Publicado originalmente em: https://chinanaminhavida.com/2017/11/21/zhoucheng-a-tradicao-da-tintura-indigo/

**Christine Marote vive na China desde 2009 e é autora do Blog China na Minha Vida. Formada em educação, tem MBA em negócios e cultura chinesa pela Jiaotong University. Atua como palestrante e presta assessoria para pessoas e empresas que vão à China para turismo ou negócios.