China se prepara para ser líder mundial, diz criador do WEF

Em entrevista a Folha de São Paulo, Klaus Schwab diz queos países que se preparam para o futuro, são os que apostam em educação tecnológica, paridade de gênero e inclusão social.

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Klaus Schwab. Foto WEF
Klaus Schwab. Foto WEF
Em entrevista publicada na Folha de São Paulo o economista alemão Klaus Schwab, presidente e criador do Fórum Econômico Mundial (WEF pelas siglas em inglês), que está em São Paulo para a edição latino-americana do evento, vê a China na liderança econômica mundial, em um contexto em que os conceitos ideológicos estão superados.
Em entrevista às jornalistas Maria Cristina Frias e Luciana Coelho, o homem que fundou o WEF, em 1971, diz que a divisão em ideologias foi criada no século XVIII no marco da Primeira Revolução Industrial.

Para o economista de 80 anos, o mundo está entrando na Quarta Revolução Industrial, onde as linhas divisórias não são mais entre direita e esquerda, mas entre aqueles que querem defender o passado e aqueles que querem se preparar para o futuro. Schwab deve lançar em São Paulo seu livro “Aplicando a Quarta Revolução Industrial”, que trata dos efeitos da evolução digital no trabalho e na produção.

Para Schwab os países que se preparam para o futuro, são os que apostam em educação tecnológica, paridade de gênero e inclusão social são questão de sobrevivência econômica.

Para ele, o Brasil falha ao não fazer o máximo para estimular a inovação e o empreendedorismo.”Isso significa flexibilizar o processo para que empreendedores montem empresas, criar um sistema tributário que permita ao empreendedor assumir riscos, e transformar a educação —o sistema é antiquado no mundo todo”, diz.

Nessa questão a China tem dado grandes passos, enquanto os EUA tendem ao protecionismo.

“A China já tem um PIB em paridade de poder de compra comparável ao dos EUA, e a China já está de fato se preparando para o futuro. Em Pequim, há uma área que deve chegar a 100 km2 para incubadoras. A China também já reconhece que a inteligência artificial deve ser muito bem sucedida. Olhando para o futuro, você vê que a China está se preparando para assumir a dianteira em tecnologia”.

O fundador do WEF destaca por exemplo o caso de Cingapura, que mudou o modelo educacional, e propõe o ensino criativo, o trabalho em equipe para obter resultados, e não mais o que pode se aprender na internet. “Há novos modelos de currículos para ensinar programação da mesma forma que se ensina o alfabeto”, destaca.

“Os países que mais trabalharem talentos serão os mais bem-sucedidos. E há a questão da inclusão, que se trata não só de responsabilidade social, mas de competitividade. É importante que todos tenham as mesmas oportunidades, pois, se você exclui metade da população por ser pobre, pode excluir um Einstein”.

Para ele, a a criatividade vai nos diferenciar de un robô, em um mundo que desenvolve a Inteligência Artificial. “A diferença é nós termos sentimentos, criatividade, intuição, empatia”.

“Se você olhar para as aptidões de que precisaremos no futuro, são as que chamamos de femininas”, diz, destacando que a paridade de gênero não é só questão de justiça, mas o melhor jeito de se preparar para o futuro.

Integra da entrevista na Folha, para assinantes: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/china-se-prepara-para-assumir-lideranca-mundial-diz-criador-do-forum-mundial.shtml