A China reage ao protecionismo de Trump, mas quem mais sofre é o Brasil

Principal parceiro comercial dos Estados Unidos, a China reage contra bloqueio de Trump a importações de aço, mas vende menos de 3% do consumo norte-americano, já o Brasil foi o segundo maior fornecedor para os EUA, em 2017.

0
393
China responde por 2,9% das importações de aço dos EUA. Zachary Zhang. Pixabay.
China responde por 2,9% das importações de aço dos EUA. Zachary Zhang. Pixabay.

A decisão do presidente dos Estados Unidos Donald Trump de aumentar os impostos para as importações de alumínio e aço, provocou a reação do governo chinês, que apelou ao de Washington para que “trave”as medidas protecionistas e “respeite as regras” do comércio internacional.

Donald Trump anunciou a sua intenção de impor tarifas aduaneiras de 25%, para as importações de aço, e 10%, para as de alumínio, justamente quando Liu He, assessor económico próximo do Presidente chinês, Xi Jinping, visita Washington, para tentar resolver algumas das disputas comerciais entre as duas maiores economias do planeta.

“A China pede aos Estados Unidos que travem o recurso a medidas protecionistas e respeitem as regras do comércio multilateral”, afirmou Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, segundo informações da Agência Lusa.

“Se outros países seguissem o exemplo [norte-americano], teríamos um grave impacto na ordem do comércio multilateral”, explicou Hua.

A porta-voz da diplomacia chinesa afirmou que os EUA oferecem já uma “proteção excessiva” aos seus produtores de aço e alumínio, tendo adotado “mais de uma centena” de medidas contra a importação daqueles produtos.

Hua Chunying não mencionou, no entanto, possíveis represálias por parte de Pequim, mas o governo chinês ja avisou que adotará as “medidas necessárias” para defender os interesses dos seus exportadores

Em Washington, Liu reuniu-se com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, o representante do Comércio, Robert Lighthizer, e o conselheiro económico do presidente Trump, Gary Cohn, segundo Hua Chunying.

“Eles tiveram discussões abertas e estabeleceram as condições necessárias para a próxima fase do aprofundamento da nossa cooperação”, acrescentou Chunying.

O Brasil mais golpeado do que a China

A China, o maior produtor de aço do planeta, mas fornece menos de 3% dos 35,6 milhões de toneladas de aço importados pelos Estados Unidos. A decisão afetará principalmente outros parceiros dos norte-americanos, entre eles o Canadá, México, Coreia do Sul, e o Brasil. O Canadá fornece 16,7% do aço importado pelos Estados Unidos, seguido pelo Brasil (13,2%), Coreia do Sul (9,7%), México (9,4%) e Rússia (8,1%).

O Brasil foi o segundo país que mais exportou o produto para os EUA entre janeiro e setembro de 2017, segundo dados da administração comercial americana, e deve ser um dos mais afetados pela decisão.

Uma análise da consultoria Wood Mackenzie (Wood Mac), mostra que as vendas de aço para os Estados Unidos (que importa 36% do aço que consome ao custo de US$ 17,6 bilhões) representaram apenas 1,4% das exportações totais da China, de 74,82 milhões de toneladas.

“Assim, as tarifas de aço não terão muito impacto nas exportações chinesas de aço e a China não tem tanto a perder quanto os tradicionais parceiros comerciais dos EUA”, afirma a Wood Mackenzie em análise feita por He Ming, gerente sênior da consultoria em Singapura, para quem a Coreia do Sul será “fortemente” atingida.

O setor do aço é um dos principais visados das autoridades chinesas nas medidas para cortar o excesso de produção de algumas das indústrias do país.

Mesmo não sendo tão afetada economicamente, as declarações de Trump suscitam receios de uma guerra comercial com a China, o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos, país que foi acusado pelo presidente várias vezes durante a campanha de ser responsável pela destruição de empregos estadounidenses.