Mais higiene, tecnologia e até sofisticação na revolução dos banheiros chineses

O movimento por melhores banheiros na China já entregou 68 mil sanitários à população e ainda quer muito mais. Os turistas agradecem.

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Banheiro público no estilo Parque Güell, em Chongqing, China (foto: Wiki Commons)

Ir a um banheiro público na China pode ser algo inesquecível. Seja pelas péssimas condições de higiene de muitos deles, pelo aparato tecnológico de alguns ou pelo grau de luxo e sofisticação de outros. Sem falar no bom preparo físico exigido para usar o vaso agachado e não sentado, típico da cultura chinesa.

Nos grandes centros, é fato que pelo menos os sanitários públicos existem e em quantidade relativamente grande para atender a população de transeuntes e moradores. Algo especialmente necessário em alguns locais da China, onde muitas pessoas nem sequer têm banheiro em casa e compartilham o uso com a comunidade, como nas famosas hutongs de Pequim, por exemplo.

Apesar de estarem lá à disposição, a higiene pode passar bem longe. O problema nem é realmente o fato de muitos vasos serem plantados no chão. Alguns estudos mostram inclusive que agachar na hora de ir ao banheiro traz mais benefícios à saúde do que a posição sentada. A grande questão é a sujeira, o mau cheiro, a falta de papel, de sabão e até mesmo de água.

No interior do país a situação é bastante pior. Muitos camponeses têm que usar buracos cavados na terra, ao lado de casa. Esvaziadas manualmente, estas latrinas só aumentam o risco de contaminação e infecção da população.

Meta dada, meta cumprida
Tal cenário começou a mostrar algumas mudanças em 2015, quando o Ministério do Turismo chinês divulgou uma campanha de revolução dos banheiros. A princípio, tudo em prol dos turistas, com o objetivo de promover esta emergente indústria que em 2016 faturou 3,9 trilhões de Yuans (cerca de R$1,9 trilhão). A meta era construir e reformar 57 mil banheiros públicos em vários pontos turísticos do país. E ela foi superada. Em outubro de 2017 já eram 68 mil banheiros novos ou renovados, um investimento de 20 bilhões de Yuans (por volta de R$ 9,9 bilhões).

Os esforços continuam e a nova meta já foi divulgada. Até 2020, serão mais 64 mil banheiros. Porém, desta vez o foco parece ir além dos turistas, estando voltado também para as áreas rurais do país e cidades com grandes concentrações de pessoas. “O problema dos banheiros não é pequeno, é um aspecto importante na construção de áreas urbanas e rurais civilizadas”, disse recentemente o Presidente Xi, de acordo com a agência Xinhua.

“Ainda existe uma grande discrepância entre o forte desenvolvimento econômico da China e o padrão de vida das pessoas. Um ambiente bonito e higiênico é essencial”, afirmou Bai Lin, gerente de projetos da Organização Mundial do Banheiro, para o South China Morning Post. Segundo ela, o tratamento de resíduos também é essencial, já que o esgoto contamina o sistema de águas subterrâneas.

O governo quer equipar banheiros em residências rurais com paredes, telhados, portas e janelas. Alguns projetos para os grandes centros incluem sistema de aquecimento, desodorização e economia de água. Sanitários adaptados para pessoas com deficiência, idosos e mães com bebês também estão contemplados.

Tecnologia e sofisticação
Mas, a transformação não para por aí. Nos pontos turísticos, além de assentos no estilo ocidental, televisores, ATMs, WIFi e sofás, uma das mais faladas novidades foi a instalação de dispensadores de papel higiênico com reconhecimento facial. Visitantes do Templo do Céu, um dos principais pontos turísticos de Pequim, têm que esperar 30 segundos para ganhar seu pequeno pedaço de papel depois de ter seu rosto digitalizado. É torcer para não estar apertado.

A tecnologia veio para acabar com os ladrões de papel higiênico, que eram frequentes no parque.

Outras tecnologias também estão disponíveis, como a busca do banheiro público mais próximo pelo WeChat. A plataforma, que já inclui 330.000 sanitários em diversos países, foi lançada no Dia Mundial do Banheiro, em 19 de novembro.

A causa é séria, mas a abundância de recursos financeiros também pode levar a extravagâncias sem limites. Exemplo disso são os suntuosos banheiros públicos de Chongqing, com seus pisos de mármore, internet de 50 Mbps de velocidade, ou de arquitetura similar ao Parque Güell. Na China, quando o assunto é revolucionar banheiros, algumas cidades simplesmente levam a meta ao pé da letra.