China apresenta em Davos sua política econômica, e promete combater pobreza em três anos

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Liu He promete em Davos combater pobreza e poluição na China. Foto WEF.
Liu He promete em Davos combater pobreza e poluição na China. Foto WEF.

Entre os planos do principal conselheiro da economia chinesa estão controlar a poluição e eliminar a pobreza absoluta em três anos. 

FórumBrasilChina  

Liu He, o principal conselheiro econômico do Presidente Xi Jinping, e seu representante no último Fórum Econômico Mundial, em Davos, apresentou diante dos principais líderes do mundo o planejamento da política econômica da China para os próximos anos, e prometeu uma apertura maior do país no comércio internacional, além de combater a poluição e a pobreza.

Formado em Harvard, o diretor do Gabinete Geral do Grupo Dirigente Central para Assuntos Financeiros e Econômicos, o líder chinês, de 65 anos, disse que essa política se concentra “em uma necessidade chave, uma tarefa principal e três batalhas críticas”.

Em seu discurso, Liu, que também é membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista chinês, destacou que a necessidade chave é que a economia transite de uma etapa de rápido crescimento para outra de desenvolvimento de alta qualidade. “Temos que mudar nosso enfoque de “Está suficiente?” para “Está suficientemente bom?”, disse Liu.

Para Liu, a transição é o contexto no qual a China formulará suas políticas macroeconômicas, estruturais, sociais e de reforma nos próximos anos. “A receita per capita da China está subindo dos atuais US$ 8 mil para US$ 10 mil ou mais. Nessa etapa de desenvolvimento, a China precisa dar mais ênfase na melhora estrutural em vez da expansão quantitativa”.

Com a maior abertura da China ao mundo, esta transição a um novo modelo de desenvolvimento criará enormes oportunidades para muitas indústrias novas, acredita o dirigente. “Isto significa oportunidades não só para empresas chinesas, como também para todo o mundo”.

Liu também destacou alguns dos benefícios já atingidos, como a expansão firme da demanda interna da China e o consequente consumo, que contribui com 58,8% do crescimento econômico, cerca de 4% mais do que cinco anos atrás.

Já o valor agregado do setor de serviços representa 60% do Produto Interno Bruto (PIB), mais de cinco pontos percentuais do que há cinco anos.

Principais desafios 

A principal contradição no desenvolvimento econômico da China, disse Liu, é a má combinação estrutural, em que a oferta não evolui no mesmo ritmo da demanda, um aspecto da política econômica chinesa que para ele precisa ser mudado com urgência.

Liu enfatizou que a prioridade atual é eliminar a capacidade nos itens necessários, reduzir estoques no setor imobiliário, diminuir o nível da alavancagem, reduzir os custos de forma geral e fortalecer os elos fracos da economia, desde os serviços públicos até a infraestrutura e as instituições. “Com estas medidas, esperamos tornar o lado da oferta mais adaptável e inovador. Já obtivemos alguns avanços iniciais”, afirmou.

Desde 2016, a China reduziu sua produção de aço em 115 milhões de toneladas, eliminou outras 140 milhões de toneladas em capacidade de aço de baixa qualidade e cortou de forma gradual mais de 500 milhões de toneladas de carvão em capacidade.

Embora estas medidas de limpeza do mercado causassem uma alta dos preços em certos setores, o crescimento da produtividade total dos fatores deixou de diminuir e começou a aumentar em 2016, indicou Liu.

“O resultado positivo da nossa reforma estrutural no lado da oferta começou a ser sentido pelo mundo. Na realidade, esta é a reforma com que devemos continuar até o final”, acrescentou.

Três Batalhas Críticas e eliminar a pobreza

De acordo com Liu, a China tem que realizar três batalhas críticas nos próximos anos: a prevenção de riscos, a redução da pobreza e o controle da poluição.

“Para a China construir uma sociedade economicamente ajustada em todos aspectos, devemos resolver o ponto mais fraco em nosso desenvolvimento com a vitória nestas batalhas”, disse.

Para Liu, embora o sistema financeiro da China esteja basicamente saudável com altas taxas de depósito, a China tem que continuar evitando e resolvendo grandes riscos financeiros. “Os bancos clandestinos e o endividamento oculto dos governos locais são problemas graves que temos enfrentar”, explicou.

Desde o quarto trimestre de 2017, a China reduziu levemente o ritmo de crescimento da taxa de alavancagem, que Liu vê como um bom sinal.

Segundo, a China continuará fazendo esforços mais inteligentes e mais específicos para tirar mais pessoas da pobreza. “Planejamos eliminar a pobreza absoluta em três anos”, indicou.

Em 2018, a China tirará dez milhões de pessoas da pobreza, incluindo 2,8 milhões que serão recolocadas das áreas que sofrem condições severas.

A terceira batalha é combater a poluição de forma constante. “O desenvolvimento verde e de baixo carbono é o que o povo chinês quer mais em uma ruptura com o modelo de crescimento tradicional”, disse Liu. A China cumprirá sua promessa de combater as mudanças climáticas e respeitar o Acordo de Paris, disse.

Reforma e apertura

Este ano marca o 40º aniversário da política de reforma e apertura da China, a razão do robusto crescimento do país nas últimas quatro décadas.

Segundo Liu, a China continuará integrando as regras internacionais de comércio e facilitando o acesso ao mercado. Também abrirá de forma significativa o setor de serviços, e criará um ambiente de investimento mais atrativo.

O vasto mercado interno da China, com uma classe média de 400 milhões em rápido crescimento, a maior do mundo, contribuirá de forma significativa para o desenvolvimento mundial, indicou.

O funcionário também advertiu que a economia mundial ainda tem de resolver problemas arraigados e pediu pela realização de esforços conjuntos a nível mundial. “Os múltiplos riscos e a considerável incerteza se manifesta em forma de grandes dívidas, borbulhas de ativos, protecionismo e escalada dos conflitos regionais e internacionais”, acrescentou durante o Fórum.

Com informações da Agência Xinhua