Como funciona o DiDi? Conheça o concorrente do Uber que acaba de chegar ao Brasil

Didi compra 99 e entra para o mercado brasileiro de aplicativos de transporte

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Didi Chuxing, o uber chinês
Didi Chuxing, o uber chinês

Por Egle Bocanella, Xangai

Além de investir em pesquisas relacionadas a inteligência artificial e direção autônoma, a DiDi também vem apostando em várias iniciativas relacionadas a segurança na China. São exemplos o programa de incentivo ao uso do cinto de segurança no banco traseiro e o Sistema de Direção Defensiva. Este último tenta prevenir que o motorista dirija enquanto estiver sonolento. Segundo a empresa, o processo de checagem de documentações dos veículos e motoristas também se tornou mais rigoroso. Ao longo de 2017, a empresa recusou uma média diária de 40.000 candidatos desqualificados.

Uma das grandes vantagens da DiDi em comparação com seus concorrentes ocidentais é que o usuário não tem a obrigação de ter um aplicativo para usá-lo. Quem nunca pediu um Uber ou um táxi para um parente mais velho que não tem o aplicativo?

Didi também está disponível em dois superapps chineses, o Alipay e o WeChat. O primeiro trata-se do serviço de pagamentos pelo celular do gigante Alibaba. O segundo é a versão chinesa do WhatsApp. Além de distribuir mensagens, tem uma plataforma de transferência de dinheiro, com 900 milhões de usuários. O pagamento é feito via celular. Plataformas online de pagamento ou cartão de crédito, depósito antecipado ou cartão viagem pré-pago são as possibilidades. Ao final da corrida, o usuário também avalia o serviço que acabou de receber.    

Tipos de serviços

Em qualquer uma das 400 cidades chinesas em que atua, basta o usuário abrir o aplicativo e pedir ou reservar um táxi comum, ou um carro particular. O tamanho e o grau de sofisticação são da preferência do cliente. O Didi tem mais de 21 milhões de motoristas conectados na sua sua plataforma chinesa.

A empresa também permite a reserva de um veículo privado, além da possibilidade de mandar buscar amigos ou clientes estrangeiros no aeroporto. Um motorista uniformizado busca o passageiro com uma placa de identificação, assim como fazem as agências de turismo.  

A DiDi também aposta na diversificação. Há ainda opções de aluguel de veículos, motoristas, soluções corporativas, informações sobre transporte público, rede de carona compartilhada, bicicletas comunitárias, entre outros.  

Um desses serviços é o que oferece motoristas sem carro. Útil para quem, por exemplo, foi trabalhar na sexta, se animou no happy hour e não pode mais dirigir depois. O sistema aciona um motorista, que pode chegar em modernos patins eletrônicos, e deixar o alegre cliente em casa. O serviço não é barato, mas compensa mais que pagar o valor da multa e dos pontos na carteira.

Mas nem tudo é perfeito nem melhor no Didi. Se comparado com o Uber, o modelo também sofre com os excessos de um mercado predatório. Tem horas em que faltam Didis em Xangai, especialmente nas de pico. Se antes, os usuários recebiam benefícios para usar o serviço, agora o aumento da demanda e a falta de concorrência têm aumentado os custos para os clientes, que precisam oferecer incentivos aos motoristas para conseguir um carro. 

Assim como seus competidores, a oferta de carros e o preço das corridas sofrem variações nos dias concorridos, como os chuvosos. O Didi já uberizou e superou o mestre.