FMI: China vai crescer até 2020, mas com riscos

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Christine Lagarde, diretora do FMI em reunião com o presidente chinês
Christine Lagarde, diretora do FMI em reunião com o presidente chinês

A média de crescimento de 6,4% pode trazer riscos como o aumento de dívida

O Fundo Monetário Internacional (FMI), elevou sua estimativa de crescimento médio anual da China até 2020, a uma taxa média anual de 6,4 por cento, mas alertou que esse crescimento trará mudanças drásticas e riscos, como o aumento da dívida.

A expansão de uma taxa média anual de 6,4 por cento entre 2017 e 2020, é maior em comparação à previsão de 6 por cento ao ano feita há um ano,. A dívida das famílias, das empresas e do governo deve aumentar para quase 300 por cento do produto interno bruto em 2022, em comparação à previsão de 242 por cento prevista no ano passado, estima o Fundo no documento “IMF Forecasts Faster Chinese Growth as Rising Debt Adds to Risks”. 

O Presidente Xi Jinping tem pressionado reguladores financeiros para acompanhar o endividamento excessivo das empresas estatais e disse que a sua dívida é “a prioridade das prioridades”.

“Dado o forte dinamismo, é hora de intensificar os esforços de desalavancagem”, disse o FMI no seu informe. “O progresso das reformas deve ser acelerado para garantir a estabilidade a médio prazo e enfrentar o risco de que a trajetória atual da economia pode levar a um forte ajuste”.

CRÉDITO SUSTENTÁVEL

Os empréstimos ao sector privado aumentaram 16 por cento em 2016, o dobro do crescimento do PIB nominal, e subindo 80 pontos percentuais desde 2008, representando quase 175 por cento do PIB, disse o FMI. Aumentos desta magnitude em outros países têm sido associados com lentidão, crescimento acentuado e muitas vezes com a crise financeira.

O FMI estima que uma taxa de crescimento de mais saudável de crédito teria resultado em uma expansão do PIB real de cerca de 5,5 por cento entre 2012 e 2016, em vez de 7,25 por cento.

Mas a China está no meio de uma transição para um crescimento mais sustentável. Com reformas em andamento, as autoridades deram os primeiros passos para facilitar a desalavancagem do setor privado e para um crescimento mais moderado de crédito e dívida, também de acordo com o FMI.

O gigante asiático também fez progressos na redução do excesso de capacidade industrial, no reforço das políticas de dívida de governos locais, e contempla os riscos no setor financeiro, explica o informe.

A expansão deverá manter-se em 6,7 por cento este ano, devido ao aumento do estímulo no ano passado, disse o FMI. A inflação também sofreu alterações em relação ao ano anterior e permaneceria em 2 por cento, disse o banco. O objetivo futuro para as autoridades deve ser o de se concentrar mais na qualidade e sustentabilidade do crescimento e menos em metas quantitativas, recomenda.

Com foco em tensões comerciais como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o relatório avalia superávit comercial para Pequim.

O superávit em conta corrente da China, considerado por muitos economistas como um indicador melhor do que o superávit comercial caiu quase um ponto percentual, para 1,7 por cento do PIB no ano passado, devido à forte demanda interna, e deve cair para 1,4 por cento do PIB este ano, graças à recuperação nas importações e ao turismo.

O yuan ainda está em linha com os fundamentos gerais, segundo o relatório.

Para um crescimento mais sustentável, a China deve estimular o consumo e reduzir a sua elevada taxa de poupança, em parte pelo aumento dos gastos com saúde e pensões, recomenda o FMI. A taxa de poupança na China é de 46 por cento do PIB, mais que o dobro da média mundial,