Com volta do maoísmo, China cresceria mais rapidamente até 2036, aponta estudo da Universidade de Yale

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Traduzido do Business Insider

Por Mike Bird

Fora da China, os tempos do revolucionário Mao Tsé-Tung no poder geralmente são lembrados como um período de catástrofe econômica, com políticas de coletivização desastradas que levaram o país a períodos de turbulência e fome. Mao governou a China de 1949 até 1976, quando morreu. Como chefe do Partido Comunista da China (PCCh), ele conduziu ao controle extremo o estado da economia. Mas de acordo com um documento de pesquisa econômica recentemente publicado, o retorno das políticas maoistas e a abolição total do setor privado não constituiriam um problema demais para o crescimento do PIB chinês nos próximos anos.

O Financial Times cita alguns trechos da pesquisa: “Nosso modelo é essencialmente um exercício de contabilidade que nos permite descobrir os fatores-chave do crescimento na China durante e após a era Mao”, disse Aleh Tsyvinski, professor de economia da Yale e co-autor do relatório.

“O principal ponto de nossas descobertas é que, ao contrário dos equívocos comuns, o crescimento da produtividade no âmbito do Maoísmo, particularmente no setor não-agrícola, foi bastante bom”.

O documento (com acesso fechado) foi publicado pelo Bureau Nacional de Pesquisa Econômica aqui.  Os quatro economistas usam uma técnica chamada ‘contabilidade de cunha’, quebrando a economia em uma série de partes, como diferentes medidas de produtividade e dados demográficos. A Tabela 11 é o que eles esperam para o crescimento chinês de 2012 a 2050 se as mesmas reformas pós-1978 continuarem nas próximas décadas. Provavelmente, eles são mais otimistas quanto ao potencial de crescimento da China nos próximos 10 anos ou pelo menos mais do que a maioria dos economistas. “A economia da China pode continuar crescendo em 7-8% por mais 10 a 15 anos”, argumentam, embora haja uma clara desaceleração mais tarde. A maioria dos economistas é consideravelmente mais pessimista. Michael Pettis, professor de finanças da Universidade de Pequim, por exemplo, sugere que na melhor possibilidade a China pode esperar que, na década seguinte, tenha crescimentos entre 3 a 4% do PIB.

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Usando a teoria para o período após o Grande Salto Adiante, um impulso maciço e letal para a coletivização econômica e a industrialização, mas antes das reformas de 1978, os autores produziram um conjunto diferente de quadros. Na tabela acima, você pode ver que o crescimento nos próximos 10 anos é mais lento do que no caso de as tendências da Era Mao (1967-1975) retornassem. Mas o crescimento é apenas um pouco mais lento do que seria entre 2024 e 2036. Na verdade, ele seria mais rápido entre 2036 e 2050.

É um modelo bastante mecanicista, e os autores realmente não sugerem que retornar às políticas da Era Mao seria uma boa ideia. Não há garantia (ou mesmo qualquer indicação real) de que as mesmas tendências retornariam.

O período dos autores para o exemplo pré-reforma (1967-1975) é apenas um exemplo do período mais consistente de desempenho econômico maoísta – remover o período do Grande Salto Adiante sugere que a marca de controle econômico total de Mao poderia ter ocorrido sem esse tipo de devastação, que não é clara. O documento admite que é bastante improvável que veremos esse cenário testado, já que o governo da China não mostra muitos sinais de querer renacionalizar e reestatizar toda a economia – mas ainda está produzindo algumas reações bem céticas de outros economistas.