A China é favorita no tênis de mesa nos Jogos Rio 2016

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A última vez que um chinês não ficou com o ouro em um torneio olímpico foi em Atenas-2004

BCReport

Como sempre, a China é favorita a ganhar na categoria de tênis de mesa nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O jovem, Ma Long, campeão mundial 2015, bronze em 2009, 2011 e 2013, líder do ranking mundial, é o favorito ao ouro. O atual campeão olímpico, Jike Zhang, também está na briga por essa medalha.

A última vez que um chinês não ficou com o ouro em um torneio olímpico de tênis de mesa foi em Atenas-2004, quando o sul-coreano Seungmin Ryu venceu o chinês Hao Wang na final de simples daquele ano. Além de Wang, o também chinês Liqin Wang completou o pódio no terceiro lugar.

Desde que entrou nas Olimpíadas, em 1977, o tênis de mesa distribuiu 28 medalhas de ouro, 24 delas ficaram para a China, um aproveitamento de mais de 85%. Além dos chineses, apenas outros dois países subiram ao lugar mais alto do pódio: Coreia do Sul (três vezes) e Suécia.

Outro feito impressionante dos chineses é o domínio completo das medalhas de ouro em duas edições consecutivas dos Jogos. Em Atlanta-1996 e Sidney-2000, eles conquistaram todas as medalhas de ouro em disputa. O mesmo ocorreu em Pequim-2008 e Londres-2012. Caso isso se repita no Rio de Janeiro-2016, será a primeira vez que a China domina completamente três Olimpíadas seguidas no tênis de mesa.

A liderança chinesa no esporte levou a vários países competidores a naturalizar chineses para concorrer nas Olimpiadas.

O tênis de mesa foi criado por volta de 1880, quando jogadores de um clube inglês improvisaram um novo jogo por causa do mau tempo. Em 1900, o esporte chegou à China, introduzido por ocidentais.

A partir das Olimpíadas de Pequim-2008, os jogos de duplas foram substituídos pelas disputas por equipe. Os chineses conquistaram a medalha de ouro tanto no masculino quanto no feminino, em simples e por equipes. O resultado se repetiu em Londres, quando os chineses dominaram os quatro eventos novamente. Além dos quatro ouros, a China ainda faturou duas pratas na Inglaterra, justificando o status de potência do tênis de mesa.

Deng Yaping, a esportista do século

A baixinha Deng Yaping precisou superar o preconceito  antes de se tornar uma verdadeira lenda da modalidade no Mundo e na China, onde foi reconhecida, em 1999, como a personalidade esportiva do século. Com apenas 1,50m de altura, Deng só conseguiu ser convocada para a Seleção Chinesa de tênis de mesa em 1988, quando tinha 15 anos. Isso poderia ter ocorrido antes, já que aos 13 Deng já era a campeã chinesa, mas foi preterida pela estatura.

De 1989 a 1997, Deng conquistou impressionantes nove títulos mundiais, entre simples e duplas. Nas Olimpíadas, foi igualmente impressionante. Tanto em Barcelona-1992 quanto em Atlanta-1996, a baixinha conquistou a medalha de ouro em simples e duplas. Em 1999, foi reconhecida como a personalidade esportiva do século na China, coroando a brilhante carreira.

Pingue-pongue e política internacional

O historiador Nicholas Griffin, conta em um livro sobre a história desse esporte, que os chineses estimularam a pratica convencidos de que o sucesso do Tênis de Mesa no país ajudaria a espalhar o comunismo pelo mundo. A partir de 1949, os líderes Mao Tse Tung dong e Zhou Enlai, apoiaram a popularização do tênis de mesa na China.

Mao decretou, em 1950, que o tênis de mesa era o esporte nacional chinês, porque tinha baixo custo e ajudava a “levantar a autoestima do povo”. Assim, providenciou o envio de técnicos por todo o país, buscando crianças com reflexos agudos e excelente coordenação olho-mão.

Tricampeão mundial em 1961, 1963 e 1965, Zhuang Zedong é reconhecido como o melhor jogador de todos os tempos, depois de começar, ainda criança, em uma “mesa” de pedra. Zhuang esteve com a delegação da China no tour pelos Estados Unidos, na retomada de relações políticas entre os dois países.

A chamada “Diplomacia do Pingue-Pongue”, protagonizada pelo presidente Richard Nixon e seu conselheiro Henry Kissinger, com o presidente Mao, foi responsável pela reaproximação, no começo dos anos 70.

Em abril de 1971, durante Mundial de Tênis de Mesa no Japão, a seleção dos Estados Unidos recebeu convite dos chineses para excursionar por aquele país – assim, os atletas americanos foram os primeiros a entrar na China desde a Revolução de 1949. Kissinger chegou na sequência, preparando a visita de Nixon a Mao em fevereiro de 1972.

Meses depois, Zhuang Zedong comandaria sua seleção na excursão em retribuição aos Estados Unidos. Lá, o astro chinês discursou: “Apesar de o pingue-pongue ser um esporte altamente competitivo, não existe realmente uma vitória ou uma derrota. Sempre temos as duas. Assim, como não há vida sem morte, não há morte sem vida. E o mundo também é assim: diverso e unido”.