Tsai Ing-wen, a primeira mulher presidente de Taiwan

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BCReport

A nova presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, a primeira mulher a ocupar o cargo, pediu em seu discurso de posse, na sexta-feira, um “diálogo positivo” com Pequim, mostrando um tom conciliador diferente ao esperado por seu Partido Democrático Progressista (PDP), uma formação tradicionalmente independentista.

Frente a umas 20.000 pessoas que acompanhavam a cerimônia diante do palácio presidencial, Tsai apresentou Taipei como uma força de paz. Tsai, uma ex professora universitária de 59 anos, venceu por maioria as eleições de janeiro, terminando com  oito anos de política de aproximação com a China sob o comando do presidente em fim de mandato Ma Jing-jeou, do partido Kuomintang (KMT). Para os eleitores Ma Jing-jeou foi muito longe e que sua política, mais que servir aos interesses de Taiwan, colocava em risco a soberania da ilha, em relação a Pequim.

“As duas partes que governam ambos os lados do estreito (que separa a China continental de Taiwan) têm que deixar de lado o peso da história e iniciar um diálogo positivo”, disse em seu discurso depois de ter jurado o cargo.

Segundo a Agência France Presse, Pequim reagiu contra qualquer tentativa de avançar a uma eventual independência. “Se buscar a independência, será impossível ter paz e estabilidade no Estreito de Taiwan”, advertiu o Escritório de Assuntos de Taiwan do governo chinês em um comunicado. Desde a vitória eleitoral de Tsai, as relações voltaram a se distanciar.

Sem mencionar a China, apelou, no entanto, para que a ilha coloque fim a sua independência comercial em relação ao continente e termine com “nossa antiga subordinação a apenas um mercado”.

A China quer que Tsai assuma o consenso tácito concluído em 1992 entre Pequim e Taipé, que afirma que há “uma só China” e que cada parte pode interpretar a sua maneira.

Embora a nova presidente e o partido PDP não reconheçam este consenso de 1992, Tsai repetiu muitas vezes que manterá o “status quo”. Sem se afastar de seus princípios, a dirigente destaca a importância do diálogo. “As relações bilaterais se converteram em parte integrante da construção da paz regional e da segurança coletiva”, disse.

Segundo os analistas, a nova presidente tentou em seu discurso manter um equilíbrio que tranquilize Pequim, mas sem contradizer os taiwaneses críticos à China. Para o Global Times, jornal próximo ao Partido Comunista da China, a chegada ao poder de Tsai Ing-wen marca o início de “uma nova era caracterizada pela incerteza”.

Taiwan segue seu próprio rumo desde 1949, quando os nacionalistas do KMT, liderados por Chiang Kai-shek, se refugiaram na ilha após a vitória dos comunistas de Mao Tsé-Tung.