Meta de crescimento da China pode esconder riscos, diz agência Moody’s

0
93

País determinou meta de crescimento de 6,5% a 7 % ao ano em 2016, mas expansão segue sustentada pelo crescimento do volume da dívida

BCReport

A meta de crescimento definida pelo governo chinês pode elevar os riscos de longo prazo para a segunda maior economia do mundo, afirmou esta semana a agência internacional de classificação de risco Moody’s Investor Services.

Embora tenha mantido sua projeção de crescimento para a China em 6,3% para este ano, a agência afirmou que a expansão segue sendo sustentada pelo crescente volume de dívida que acarreta riscos e pode levar a mais problemas no futuro .

“Entregar as metas de taxa de crescimento como objetivo primário pode acontecer às custas da qualidade do crescimento devido à má alocação de recursos, e por limitar a capacidade do governo de lidar com os desequilíbrios na economia através da implementação de reformas”, escreveu em um relatório o vice-presidente da Moody’s, Madhavi Bokil.

A China determinou uma meta de crescimento econômico de 6,5% a 7 % neste ano, após a expansão ter desacelerado para a mínima de 25 anos, de 6,9%, em 2015. Mas alguns economistas consideram que as taxas reais de crescimento já são bem menores do que os dados oficiais sugerem.

O governo da China está tomando medidas para manter o crescimento, mas para  Bokil, vice-presidente da Moody’s, a fixação de Pequim por chegar em números concretos pode funcionar contra a qualidade dessa expansão obtida pelo país.

Bokil ressaltou que a China está mantendo seu crescimento em troca de um aumento do endividamento, o que suscita riscos a longo prazo na economia do país, especialmente no setor bancário.

A desaceleração chinesa pode ter consequências negativas para a economia mundial este ano, especialmente nos países emergentes, diz o informe da agência . “O enfraquecimento mais pronunciado do que o antecipado da economia chinesa é atualmente um dos maiores riscos para a economia global”, avaliou Moody’s.

Essa desaceleração, segundo a Moody’s, pode provocar um efeito em cadeia no crescimento global da economia, criando uma “aversão ao risco” e um aumento do estresse nos mercados.

A Moody’s também prevê que as economias emergentes do G20 crescerão 4,2% em 2016, reduzindo os então 4,4% previstos anteriormente, após uma revisão para baixo das perspectivas sobre o Brasil, México, Argentina e Turquia.

Por outro lado, a agência de classificação prevê que as economias dos países desenvolvidos que fazem parte do G20 também terão um crescimento menor, passando de 1,9% no ano passado para 1,7% em 2016.