O mercado asiático tem um grande potencial de crescimento nos próximos anos no setor de feiras, e os organizadores da IFA, a maior feira europeia com foco em eletrônicos e eletrodomésticos, querem aproveitar sua experiência na organização e nas parcerias que estabeleceram em anos na Alemanha para reproduzir a experiência na CE China, a feira em Shenzhen realizada em abril.

“A CE China foi criada com uma cooperação entre grupos de indústria, parceiros globais”, explica Jens Heithecker, diretor executivo da alemã IFA, que conta com o apoio do Alibaba e da GOME, os dois principais portais de compras no país. A Alemanha é a principal referência mundial em organização de feiras.

 

A classe média está crescendo e isso se reflete na compra de produtos de eletrónica de consumo, prevê a empresa de estudos de mercado Gfk, que aposta que em 2030 a classe média vai representar mais de 58% da população mundial, e que a larga maioria estará localizada nos países asiáticos, com uma grande fatia na China.

 

“Schenzen é o centro da indústria e o centro da inovação” explica Christian Goke, CEO da Messe Berlim, que organiza a IFA e agora também a CE China. “Acreditamos na CE China para o longo prazo e vamos desenvolver esta relação com cuidado”, diz, reconhecendo que não é um mercado fácil.

A feira ocupa um pavilhão no centro de exposições de Shenzhen e conta com 150 expositores, todos parceiros de longa data da IFA e que têm interesse em conquistar o mercado asiático. Para estes parceiros a CE China é uma oportunidade de mostrarem os seus produtos num mercado ainda muito dominado por produtos próprios.

 

Existem perto de três dezenas de feiras de eletrônicos na China e o modelo aposta em áreas muito específicas, mas não há um evento global como acontece na Europa com a IFA e nos Estados Unidos com a CES. “Achamos que há espaço e necessidade para o negócio internacional na Ásia, mas vamos agora focar-nos no mercado interno da China”, explica Goke.

 

Shenzhen é uma das capitais da inovação na China e tem mais de 4.700 empresas de alta tecnologia registradas, quase metade do total de empresas de tecnologia chinesas. Mais de 60% dos produtos fabricados provêm de patentes e capital intelectual registrado.