O quadro “A Aldeia de Zhou” (The Zhou Village, 1997 – 周庄), do mestre chinês Wu Guanzhong (1919–2010), liderou a subasta de primavera de arte chinesa e asiática contemporânea da Poly Auction, realizada no começo de abril. A obra foi vendida por mais de 30 milhões de dólares, estabelecendo um novo recorde mundial para pintura a óleo de arte contemporânea chinesa. O valor atingiu o dobro do proposto em pouco mais de dez minutos e representou um 60% do total de 146 lotes arrematados no dia.

Os valores vendidos na primavera pela Poly Auction de Hong Kong, maior casa de leilões da China, e pela filial asiática da líder mundial Sotheby, mostram que o apetite por arte chinesa segue forte, apesar dos temores de uma queda na demanda dos compradores.

“A venda da “Aldeia de Zhou”, de Wu Guanzhong criará novos padrões no mercado de arte chinesa. Este novo recorde mundial nos ajudou a perceber que não há falta de compradores ricos ou de capital no mercado de arte chinesa, apenas uma falta de obras de alto nível”, disse Zhao Xu, diretor da Poly Auction Hong Kong

Wu Guanzhong, cuja fusão do modernismo ocidental e pintura tradicional chinesa fez dele um dos artistas mais admirados da China, morreu em 2010 em Beijing aos 90 anos. O artista que morou na França nos anos 50, foi influenciado por Van Gogh, e Modigliani e abraçou a licença do modernismo para experimentações.

O artista combinou essa experiência com seu conhecimento em arte tradicional chinesa, desenvolvendo um estilo híbrido. Wu foi perseguido e proibido de pintar por três anos, mas em 1972 foi convidado junto com outros artistas da época para pintar um grande mural no Beijing Hotel.

Em 1978 viajou por toda a China com a sua obra e passou a ser reconhecido como um dos artistas mais originais do país. Em 1992, o British Museum organizou uma exposição de sua obra, “Wu Guanzhong: Um pintor chinês do Século XX”.