A associação que representa a indústria da soja na China (China Soybean Industry Association – CSIA) fechou um acordo de cooperação com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) para o Programa Soja Plus, de gestão econômica, social e ambiental da sojicultura brasileira. A entidade, ligada ao Ministério da Agricultura chinês, tem 700 associados (produtores rurais, processadores e traders).

A Aprosoja reúne mais de 4 mil produtores de soja e milho e a Abiove tem 12 empresas associadas, responsáveis por 60% do processamento e comercialização da oleaginosa.

Segundo Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove, o documento assinado em Beijing, agrega serviços ambientais à produção de soja, capacita os produtores, e promove o Soja Plus, fortalecendo a governança ambiental brasileira.

Para Rose Niu, do Paulson Institute, que representou as entidades da sociedade civil envolvidas em ações de sustentabilidade da soja, o Soja Plus tem um papel estratégico na produção da oleaginosa.

O memorando de entendimento é consequência de uma missão empresarial chinesa ao Brasil que visitou, em dezembro de 2015, fazendas de soja em Mato Grosso. Treze executivos, entre eles membros da China Soybean Industry Association, receberam explicações sobre ações de sustentabilidade na sojicultura brasileira. Os empresários chineses visitaram a Abiove e a Aprosoja MT. A visita foi organizada pelas ONGs TNC, Solidaridad e WWW-EUA, e pelo Paulson Institute.

O acordo assinado nesta sexta é o primeiro passo para a valorização do Soja Plus pelos parceiros chineses. De acordo com Trigueirinho, está na agenda buscar apoio financeiro de fundos internacionais e de empresas chinesas, para a expansão e o fortalecimento do programa. O documento foi assinado por Trigueirinho, o presidente da Aprosoja MT, Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja MT, e pelo vice-presidente executivo da CSIA, Denggao Liu.

A China é a principal importadora da soja de Mato Grosso, o maior estado produtor do Brasil, com 28 milhões de toneladas, que reduziu em 75% a taxa de desmatamento no estado e evitou a emissão de 2 bilhões de toneladas de CO² na atmosfera, entre 2006 e 2014.

Para os chineses a preocupação é assegurar que a produção de Mato Grosso seja cada vez mais sustentável e que o Programa Soja Plus se fortaleça, contribuindo para melhorar a gestão das fazendas, diz o acordo.
Por meio de palestras, cursos, dias de campo, visitas técnicas, fornecimento de materiais, como placas orientativas, e aplicação de check list de indicadores socioambientais, o programa capacita os produtores a colocar em prática as rigorosas legislações brasileiras de meio ambiente (Código Florestal) e de saúde e segurança no trabalho.

Colaboração: De acordo com o documento assinado, o Soja Plus e a China vão colaborar para desenvolver um “sistema justo de incentivos” a fim de apoiar proprietários que estejam em transição para uma produção mais sustentável de soja.

Responsabilidade: A China irá estimular seus empresários a desenvolver e implementar políticas de fornecimento de soja sustentável no contexto do Soja Plus.

Outros compromissos assumidos pelos chineses: Divulgar na China e internacionalmente os objetivos do programa brasileiro de gestão da sojicultura; apoiar ações do Soja Plus no Mato Grosso; facilitar comunicação e colaboração entre agências governamentais dos dois países para promover uma produção sustentável de soja.