Novas informações vindas da China mostram que a transformação do setor elétrico chinês se acelerou nos primeiros dois meses de 2016. Enquanto o consumo de energia subiu 0,3% em base anual, as importações de carvão caíram 10,2% e a produção de carvão declinou em 6.4%.

A geração térmica por queima de carvão e gás em termelétricas decresceu 4,3% em base anual, chegando a 679TWh, nos dois primeiros meses de 2016. Enquanto isto, a produção de hidreletricidade cresceu 22,6% em base anual, alcançando 129TWh, um novo recorde positivo.[i]

“A redução do crescimento econômico e da intensidade energética da atividade econômica e a rápida diversificação da geração de eletricidade em favor de fontes renováveis e da geração nuclear e hídrica se combinam para rapidamente diminuir a dependência histórica da China em relação ao carvão”, disse Tim Buckley, diretor de Estudos Financeiros e Energéticos do IEEFA.

Duas tendências são evidentes no setor de geração elétrica chinês:

– O consumo de eletricidade se desacoplou da atividade econômica já que a economia chinesa continua sua transição para setores menos energético-intensivos;

– O recorde de instalação de 32GW eólicos e 18GW, solares somente no ano de 2015, mostra que os esforços chineses para diversificar a matriz de geração elétrica continuam a ganhar embalo.

O IEEFA estima que a participação de termelétricas a carvão no total da eletricidade gerada na China alcançou o pico de 79% em 2011 e declinou para 70% em 2015 (chegando a 73% se somarmos as termelétricas a gás). Estas novas informações colocam a China em direção à redução de pelo menos 2% na participação do carvão na matriz elétrica em 2016, alcançando provavelmente uma participação menor que 60% até o final desta década. Isto é consistente com o objetivo do governo chinês de chegar a uma participação do carvão entre 50 a 55% até 2030.

O IEEFA havia concluído que o pico do uso de carvão pela China aconteceu em 2013. Os dados subsequentes apoiam esta hipótese. O consumo de carvão pela China declinou 2,9% em base anual durante 2014, e declinou mais 3,7% em 2015, sendo que agora a taxa de declínio se acelerou para 6,4% na mesma base anual.

Em resposta ao inesperado declínio do consumo de carvão, em 22 de fevereiro de 2016, o Conselho Nacional de Energia chinês relatou planos para eliminar 1 bilhão de toneladas por ano de capacidade de mineração de carvão e realocar 1,2 milhão de trabalhadores desta indústria. Os cortes podem totalizar perto de 17% da capacidade total chinesa. Planos adicionais incluem uma moratória de 3 anos no desenvolvimento de novas minas de carvão e a racionalização da capacidade de geração de eletricidade por termelétricas movidas por este combustível fóssil. [ii]

A economia chinesa continua a desacelerar, com o governo apontando um crescimento real de 6,5% no produto interno bruto em 2016, menor que os 6,9% de 2015. As taxas de crescimento nos dois primeiros meses de 2016 foram as menores desde o começo de 2015. Enquanto as taxas de crescimento no varejo chinês seguem crescendo a 10,2% em base anual, [iii] o produto industrial cresceu somente 5,4%. Nos dois primeiros meses de 2016, a produção chinesa de cimento caiu 8,2% em base anual e a de aço caiu 5,7%.

A transformação econômica está claramente em marcha.

* Tim Buckley é Diretor de Estudos Financeiros e Energéticos do IEEFA. Tim tem 25 anos de experiência com mercados financeiros, incluindo 17 anos no Citigroup.