Um dos economistas estadounidenses de maior prestígio internacional, o ex presidente do FED (Banco Central dos EUA) , Ben Bernanke, escreveu em um artigo recente que a transparência do governo chinês tem dado passos importantes.

“Na recente reunião do G20 em Xangai, três líderes chineses – o primeiro-ministro Li Keqiang, o presidente do Banco do Povo da China, Zhou Xiaochuan e o Ministro da Fazenda, Lou Jiwei -tranquilizaram os participantes dizendo que o governo chinês tinha as ferramentas monetárias e fiscais, assim como o know-how para levar a economia através dos desafios atuais. O sucesso da ofensiva de comunicação, que parece ter acalmado as preocupações dos investidores, está em forte contraste com os erros de comunicação que provocaram reacções adversas do mercado em relação às intervenções governo chinês no mercado de ações e na moeda no ano passado”, diz o economista.

“Estas declarações do G20 sugerem que as autoridades chinesas estão entendendo melhor a necessidade de explicar claramente suas principais iniciativas políticas – uma difícil transição para um governo acostumado ao sigilo. No entanto, a comunicação deste tipo representa apenas uma forma de transparência”, escreve Bernanke.

Segundo o economista, existem outras duas formas que complementam explicações claras entre os criadores de políticas: transparência de dados (produzindo números confiáveis), e transparência sobre as regras do jogo (sendo claro sobre regras e políticas que afetam os players no comércio, mercados, etc. ). “Para a China cumprir seu potencial como um líder financeiro e econômico global, precisa fazer também mais progressos nessas dimensões”, recomenda.

O economista lembra o dia 11 de Agosto de 2015, quando a China anunciou simultaneamente mudanças no seu regime de câmbio e desvalorizou sua moeda em 1,9 por cento frente ao dólar, um movimento surpresa que provocou corridas de venda no mercado. “Traders aparentemente entenderam que os lideres chineses sabiam mais do que eles sobre as perspectivas de crescimento e tinham desvalorizado para compensar o enfraquecimento da demanda doméstica com o aumento das exportações. Não havia necessidade de adivinhar o crescimento chinês: Apenas algumas semanas antes, a China anunciou seu segundo trimestre bom no alvo de 7,0%. Mas, para muitos, o anúncio parecia bom demais para ser verdade, provocando uma onda de ceticismo na imprensa internacional”, explica.

Bernanke diz que os números de crescimento da China não estão errados, citando a animada discussão que existe entre acadêmicos sobre a qualidade dos principais dados chineses. Segundo ele, o Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) merece mais crédito do que é comumente dado. Para o especialista, alguns dos problemas encontrados cheiram mais a “um erro técnico do que a adulteração política”.

“Um estudo descobriu que os números de crescimento oficiais eram “significativamente e positivamente correlacionados” com medidas verificáveis externamente de actividade económica, incluindo dados de importação e exportação de parceiros comerciais da China, e outro descobriu que eles eram historicamente apenas “levemente mencionados”, mas que os números oficiais têm crescido com mais precisão ao longo do tempo. Muitos pesquisadores (incluindo organismos internacionais como o Banco Mundial) encontraram os dados oficiais do PIB como “usáveis e informativos” [Feng Hu, e Moffitt]”, cita Bernanke. Para ele, a independência do NBS, por exemplo, ajudaria a combater desconfianças.