Especialistas reunidos pelo BCReport alertam que o Brasil precisa crescer e se desenvolver; que a parceria com a China traz riscos e oportunidades, mas é necessário ousar, como os chineses estão fazendo. E o foco está nos setores de serviços e de infraestrutura, que geram muitos empregos e fazem a economia crescer, em tempos de crise.

Esta foi a tônica do primeiro seminário promovido pelo BrasilChinaReport: Riscos e Oportunidades Brasil e China, realizado em São Paulo, que reuniu representantes de entidades do Brasil, da China, de Macau e de Hong Kong, além do Instituto Confúcio, universidades, jornalistas e estudantes.

Lançado dia 2 de fevereiro, em São Paulo, o BrasilChinaReport realizou seu primeiro evento de debates, que teve apoio da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), Hong Kong Trade Development Council (HKTDC), Instituto Brasil Macau-China, Gladtur e Bsur.

Debates

O primeiro painel teve como objetivo conhecer os cenários e perspectivas, ouvindo expoentes dos dois países, tanto da academia, como do governo e do empresariado.

Iniciando os debates, Tang Wei, secretário geral da Câmara Brasil China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), vice-presidente da Câmara Internacional de Cantão e diretor jurídico da Associação Chinesa do Brasil, ressaltou que a crise na China não é comparável à do Brasil. Para Tang o Brasil precisa explorar muitos nichos de mercado que ainda estão em aberto. E alguns temas precisam de um debate de alto nível para que se chegue nas soluções. Há riscos, mas também oportunidades, ressaltou.

Para Dacio Pretoni, presidente do Instituto Brasil Macau-China, falta ousadia e vontade. Segundo o executivo, o “brasileiro” não quer investir em coisas básicas, como uma consultoria, mas ao mesmo tempo que fechar negócios sozinho, o que acaba vendo que não é o caminho mais seguro.

Para Daniel Lau, diretor do China Desk da KPMG, uma das maiores consultorias no mundo, o investimento chinês ainda pode crescer muito no Brasil. Para Lau o país tem áreas que ainda podem ser exploradas, principalmente, em infraestrutura e serviços, mesmo que sejam grandes, médias ou pequenas empresas.

Executivo de mídia do Hong Kong Trade Development Council (HKTDC), Luiz Felipe Pessoa destacou que há portas de entrada que podem ajudar os empresários a entrar de forma mais fácil no mercado chinês, como Hong Kong. O trade organiza algumas das maiores feiras da Ásia, mas o Brasil tem quase nenhuma representatividade nestes eventos.

Ousadia e estratégia

O segundo painel focou na retomada da economia, ouvindo consultorias, especialistas e parceiros de negócios dos dois países.

Para Alexandre da Mata, executivo da Gladtur, maior Operadora do Brasil, especializada em Ásia, não é de hoje que esta parceria existe e que muito já se avançou e precisa avançar. Para Da Mata, o brasileiro tem que ir pra China, tem que pegar um avião e conhecer seu parceiro. E também lembrou que o setor de turismo poderia ser mais explorado, ainda mais neste tempo de crise.
Depois de ter morado cinco anos na China, além de trabalhar na banca que foi uma das primeiras a obter autorização para atuar na China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior, sócio do escritório Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados (DGCGT), refletiu que não basta só aproximação, há áreas complexas e que precisam de suporte. E muitos setores, como o de energia, em que a China avança e poderia fazer grandes parcerias com o Brasil. Ele também ressaltou que o governo chinês deixa de forma transparente, em termos de investimentos, o que pode e não pode ser feito, em curto, médio e longo prazo.

Sócio na Almeida Prado e Hoffmann Advogados Associados e diretor do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp, o advogado Luiz Augusto Hoffmann apontou que o Brasil tem problemas internos que ele mesmo deve resolver. Estes problemas, segundo ele, impactam na economia e deixam muitas oportunidades passarem. Por isso a importância de debates como estes, promovidos pelo BCreport.

Walber Miranda, diretor de desenvolvimento de negócios da Inventus Power, empresa de telecom americana com atuação mundial, com destaque na China e operação no Brasil, também reconheceu a importância de mais debates como este, mas disse que o mercado chinês não é tão fácil como os brasileiros imaginam. Recém chegado da Ásia, Miranda destacou que sem preparo não se pode avançar. E que a China pode, junto com o Brasil, trilharem saídas pra esta crise mundial.

A imagem do Brasil também foi muito debatida, principalmente na fala de Ivan Ferraz Mendes Reis, sócio gerente da Bsur, agência holandesa, com escritórios em Xangai e São Paulo. Para o executivo as empresas precisam primeiro saber quem são para depois se “vender” para a China. E que esse trabalho, de melhor apresentar seus respectivos projetos e investimentos, pode ser feito e trazer muitos negócios para ambos os países.

Encerrando o debate, Marcio Pochmann, economista da Unicamp, fez uma análise da trajetória do desenvolvimento brasileiro e sua inserção mundial. Para o professor não podemos esquecer as mudanças no tabuleiro do capitalismo mundial. Hoje, segundo ele, não há comércio entre países, mas, sim, entre empresas. E ter grande empresas mundiais vira uma condicionante estratégica. E o Brasil não tem, hoje, nemhum planejamento para isso. Já a China tem planos concretos de ter 160 das 500 maiores empresas do mundo.

Os debates tiveram moderação dos criadores do portal BrasilChinaReport.com.br, Veronica Goyzueta, diretora, e Daniel Castro, editor executivo. Ambos agradeceram a riqueza das falas e anunciaram mais dois eventos, um no Rio e outro em São Paulo.

Nos próximos dias, o BCReport publicará os vídeos na íntegra de cada uma das falas e matérias especiais com estas coberturas.

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