A organização ambientalista Greenpeace divulgou um relatório informando que 210 novas centrais de carvão foram aprovadas na China no ano passado, apesar da produção deste tipo de energia estar estagnado desde 2011, o que leva a ONG a acreditar que há uma ‘bolha’.

A situação seria resultado de uma “bolha no investimento”, causada pelas “distorções” no sistema financeiro e a tomada de decisões económicas na China, cujo modelo atual faz com que as empresas estatais e governos locais tenham de investir em projetos que têm pouca utilidade e rentabilidade, estimulados pelo Governo central com créditos de bancos públicos.

A China é atualmente o maior emissor mundial de CO2, responsável por quase um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa. Apesar da pressão ambiental, o carvão continua sendo importante na matriz energética chinesa, responsável por cerca de 66% da demanda total de energia.

Lauri Myllyvirta, analista da Greenpeace, lamentou que, apesar dos alertas acerca da “crise de sobrecapacidade” do setor de energia térmica, o número de novas centrais de carvão “esteja crescendo”, mesmo quando muitas geram pouco ou nenhum lucro.

Segundo o relatório, a energia térmica produzida por carvão não terá “espaço” dentro das necessidades energéticas do país até 2020, particularmente devido ao aumento da energia procedente de fontes renováveis, do nuclear e do gás.

Para o Greenpeace, esta situação faz com que não seja necessário construir mais centrais — as 210 criadas em 2015 representaram um investimento de 640 mil milhões de yuan (381 mil milhões de reais).

O Greenpeace solicitou ao Governo chinês que “proíba” a emissão de novas autorizações para a construção de centrais e “cancele” as licenças em regiões com excesso de capacidade, além de incluir no próximo Plano Quinquenal chinês um limite nacional de consumo de carvão.

O Greenpeace também informou, com base em dados divulgados pelo Bureau Nacional de Estatísticas da China, que as emissões de gases de efeito estufa caíram pelo segundo ano consecutivo em 2015, uma queda de 1 a 2 por cento em relação a 2014.

O dado é resultado da redução do consumo de combustíveis fósseis e o aumento da participação de fontes renováveis no país. A China reduziu em 2015 seu consumo de carvão em 3,7 por cento ante 2014, e instalou 32,5 gigawatts (GW) de energia eólica e 18,3 GW de energia solar. A crise também ajudou a reduzir as emissões totais.

Segundo o Greenpeace, os dados mostram que a China está a caminho de cumprir suas metas climáticas. Na conferência climática da ONU em Paris, em dezembro, a China se comprometeu a atingir o pico das suas emissões até 2030 e impulsionar as energias renováveis.