A agência internacional de classificação de risco Moody’s reduziu nesta quarta-feira (2) a perspectiva para a dívida pública da China de “estável” para “negativa”, citando as incertezas sobre a capacidade das autoridades de implementar reformas, a alta da dívida e a queda das reservas do governo.

O anúncio veio dias antes de o Congresso Nacional do Povo votar o 13º plano quinquenal da China, aguardado projeto de desenvolvimento dos próximos cinco anos, que as autoridades começaram a esboçar formalmente em 2015.

Analistas vão avaliar o texto final do congresso para entender a provável trajetória da reforma e o pensamento das autoridades sobre a estratégia de crescimento para o país – fatores destacados pela Moody’s no seu relatório.

“Sem reformas confiáveis e eficientes, o crescimento do PIB da China vai desacelerar de forma acentuada uma vez que o alto peso da dívida afeta o investimento empresarial e a demografia se torna cada vez mais desfavorável. A dívida do governo vai aumentar com mais força do que atualmente esperamos”, informou a Moody’s.

A agência disse que o rebaixamento foi provocado pelas expectativas de que a força fiscal do país continuará a diminuir, assim como também suas reservas cambiais, que já encolheram em 762 bilhões de dólares nos últimos 18 meses.

Moody’s também disse que a credibilidade das autoridades está em risco de ser prejudicada pela implementação incompleta ou reversão parcial de algumas reformas.

A agência, entretanto, confirmou a classificação “Aa3” do país, citando que as reservas consideráveis da China deram ao país tempo para implementar reformas e lidar gradualmente com os desequilíbrios econômicos.

Apesar do rebaixamento, as ações chinesas tiveram sua melhor sessão em quatro meses, saltando mais de 4% nesta quarta-feira (2), com os investidores atrás de ações imobiliárias e de matérias-primas, animados com sinais de recuperação do mercado imobiliário.

Brasil

No dia 24 de fevereiro, a Moody’s rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento – selo de bom pagador do país. A nota do país caiu dois degraus de uma vez: passando de Baa3, o último nível dentro do grau de investimento, para Ba2, que é categoria de especulação. A agência também colocou o Brasil em perspectiva negativa, indicando que pode sofrer novo rebaixamento.