Os dados da balança comercial frequentemente divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) confirmam a importância do mercado chinês para o Brasil, vez que a China continua sendo o maior parceiro comercial do país.

Contudo, o crescimento anunciado pelo país asiático por meio do Escritório Nacional de Estatísticas de Beijing de 6,9% em 2015, o pior desde a crise financeira de 2008 e abaixo da meta de 7% estimada pelo governo chinês, reflete, diretamente, no desaquecimento da economia brasileira, já abalada pela crise política e institucional do país.

Assim, não podemos nos olvidar dos instrumentos e mecanismos bilaterais sino-brasileiros para tentarmos, ainda que paulatinamente e a longo prazo, reverter a precária situação econômica que assola o país.

Dentre os principais instrumentos a serem utilizados pelo Brasil destaca-se o Plano de Ação Conjunta celebrado entre a China e o Brasil, “PAC Brasil-China II” (2015-2021), assinado durante a visita oficial do Primeiro Ministro Chinês Li Keqiang ao país entre 18 e 21 de maio de 2015.

Dispõe o referido Plano de Ação Conjunta, em seu artigo 5º, no tocante à área econômico-comercial, o esforço de ambas as partes em identificarem medidas e políticas para expandir a participação de produtos de alto valor agregado no comércio bilateral, reconhecendo-se, expressamente, a necessidade de diversificação da pauta de exportação brasileira, as quais são concentradas em produtos básicos (commodities), uma verdadeira vitória brasileira representativa de substancial mudança de comportamento do governo chinês.

Dessa forma, assim como a China precisou se reinventar, mudando seu modelo de exportação de “fábrica do mundo” para um modelo de consumo doméstico interno, o Brasil também precisa fazer sua lição de casa, traçando objetivos, metas e princípios rumo à retomada do desenvolvimento.

Portanto, não obstante a indiscutível necessidade de melhoria da infraestrutura de logística nacional, investimento na educação de base, fomento à tecnologia face os riscos de desindustrialização, deve-se refletir se o aumento da participação de produtos de maior valor agregado à exportação não seria também um bom recomeço para o país.