As grandes multinacionais francesas de bebidas LVMH, Remy Cointreau e Pernod Ricard, estão apresentando dados divergentes na China, onde tem concentrado os seus investimentos nos últimos anos, especialmente nos segmentos de whisky e cognac.

Enquanto LVMH (Moet Hennessy) e Remy Cointreau apresentaram estimativas de vendas que mostram o mercado em crescimento, a Pernod Ricard, pioneira na China no mercado de whisky com a marca Chivas, tem sentido a desaceleração.

A LVMH informou que 2015 tinha visto um “bom desempenho” em todas as regiões da China. Segundo a empresa, a segunda metade do ano mostrou recuperação na receita de Moet Hennessy. Já Remy Cointreau destacou uma melhora nos nove meses até o final de dezembro, e suas vendas para a China aumentaram 10,5% nos últimos três meses em comparação com o mesmo período de 2014.
Alexandre Ricard, CEO do grupo francês Pernod Ricard acredita que os excelentes números apresentados pelos concorrentes na China podem não ser de um reflexo preciso do mercado. Para Pernod Ricard, o mercado chinês de destilados deve encolher entre 5% e 10% no período de um ano até junho. As vendas totais para a China, segundo maior mercado da Pernod Ricard depois dos EUA, cairam 2% nos seis meses até o fim de dezembro.

No primeiro semestre de seu ano fiscal, o grupo francês registrou uma queda de dois dígitos nas vendas de sua carteira de whisky escocês na China, com Chivas e Royal Salute. No entanto, a marca Martell Cognac alcançou um aumento global de vendas de 7%, e conseguiu crescer 4% na China, onde é um mercado mais estabelecido que o whisky.

“A China é um pouco um paradoxo, porque estamos perdendo volume, mas ganhando participação de mercado”, disse Laurent Lacassagne, CEO de gim da Pernod Ricard e chefe do Chivas Bros, em uma mesa redonda na semana passada.

“Não achamos que é um problema de marca; é uma questão global que começou com a campanha anti-austeridade. Mas estamos muito além disso. Na China, a situação mudou, mas ao mesmo tempo o nosso portfólio se adaptou. Hoje, a China é muito mais representativa entre mercados emergentes”, diz Lacassagne.

Enquanto isso, os executivos da empresa calculam que logo mais o mercado da India pode superar a China como segundo mercado do mundo.